segunda-feira, 15 de março de 2010

Serra da Freita

        Quem procura bonitas paisagens e trilhos que ficam na memória (e que poderão, em casos mais extremos deixar marcas mais profundas no próprio corpo); a Serra da Freita é o local escolhido.

        O albergue (dentro das poucas escolhas) foi providenciado pelo parque de campismo do Merujal. Ainda que tenhamos ido em Julho, o movimento era calmo. Factor que aliás caracteriza este tipo de ambiente. As refeições eram feitas no próprio parque e sublinha-se a qualidade das mesmas e o empenho da cozinheira em fazer algo que nos agradasse. Dado que à hora da refeição éramos 5 ou 6 pessoas no restaurante o serviço personalizado era reforçado. Aliás, a mesma senhora, que desempenha funções tão diferentes como gestora, cozinheira e recepcionista, tornou a minha qualidade de vida ainda maior, quando acordou guardar-me leite no frigorífico para que o pudesse beber à noite. Convém referir também que as noites são frias, muito frias. E o nevoeiro que por vezes se instala faz-nos ponderar sobre a existência e o possível aparecimento a qualquer momento de D Sebastião…

        Os dias começam cedo e têm sempre o mesmo destino: caminhar pela Serra. Os trilhos estão marcados e definidos por isso não vou alongar informações a este respeito.


        No primeiro dia avistámos imediatamente as conhecidas pedras parideiras. Não sendo nenhum especialista em qualquer tipo de ciência rochosa, resumo apenas que se tratam de pedras, que…parem… outras pedras. Não sendo um fenómeno místico e com explicações teológicas, é no entanto um fenómeno geológico engraçado que nunca vi noutro local.


        O avistamento animal era uma constante. Por vezes a proximidade era demasiada, mas mantivemos a compostura.

        Há um trilho que gostaria de descrever aqui com mais detalhe, pois tem uma história associada bastante curiosa. O trilho chama-se “PR6 (Arouca) - O caminha do carteiro”. O nome é justificado por eventos reais: como sendo; o uso de tal caminho… pelo carteiro. De facto pensámos que era apenas uma lenda. A dificuldade do trilho, com passagens onde só cabia meia pessoa, desníveis acentuados e falta de locais com sombra (que de resto se pode comprovar na triste foto que apelidei de “o Pescoço”), faz-nos acreditar que seria difícil algum carteiro o utilizar como caminho de eleição.

Quando chegávamos ao ponto mais baixo reparámos num homem, mais à frente, com alguma idade a fazer o dito percurso. Ia vestido normalmente e com uma sacola ao braço. Tal avistamento é análogo ao avistamento do bigfoot em florestas australianas. Não o conseguimos alcançar para meter conversa, mas ficou-nos na ideia que aquele poderia ser “O carteiro”.

Neste ponto baixo existe um riacho de uma beleza incrível e de água gelada (mesmo em Julho), onde se pratica também canyoning (modalidade que todos deveriam experimentar).
Apanhámos também ao longo do caminho, antigas minas abandonadas.

        Já no fim do percurso (ou melhor, a meio, dado que temos depois de voltar atrás novamente), chegámos então a uma povoação com meia dúzia de casas e com um minimercado/café/farmácia/casa particular digno de figurar num filme independente premiado em Cannes. Um ambiente completamente rústico, com uma senhora velhinha e muito simpática. “Vieram às corridas?” pergunta ela. De facto, a Serra da Freita alberga, por essa data uma prova de montanha (considerada a mais difícil do pais), que passa naquela mesma aldeia, pelo que a Senhora tinha algumas histórias para contar acerca da mesma. “Coitados, às vezes vêm cheios de sede. Já dei algumas sandes e tudo. Coitados.” Pois foi precisamente o que pedimos à senhora; umas sandes, que ela prontamente nos facultou. De um frigorífico completamente “caseiro” tirou 3 iced teas. Foi uma pausa deveras engraçada e memorável. E mais importante de tudo: a Senhora confirmou que o caminho é usado semanalmente (não querendo dizer diariamente pois não me recordo. Parece mais credível dizer semanalmente) pelo carteiro. E claro que o faz por recurso ao pé, e com a carga da correspondência. Apenas retorna em veículo a motor no sentido inverso. De qualquer forma é um esforço hercúleo por parte do pobre carteiro.

        No último dia passámos a tarde à beira do rio que atravessa Arouca e onde existem várias mesas para picnics, grelhadores, etc. Perdoem-me a estupidez inerente à fotografia, mas era a única que tinha alusiva ao local…

Umas férias desportivas, com água, com serra, frio e nevoeiro, por 70€, 3 noites.

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