domingo, 15 de novembro de 2015

Cracóvia e Brno (Polónia e República Checa)

Para onde saberia bem viajar em Novembro? Para um sítio quente, com sol, que nos ajudasse a esquecer a melancolia e escuridão do Inverno… Ou então para os países de Leste!!! Polónia e República Checa! Check!

Na verdade, enquanto em Portugal passavam notícias de cheias no Algarve, na Polónia fazia um sol de rachar; isso, porque de facto sol estava, o quente é que não era muito.

Já aqui tinha dito anteriormente que gosto de avaliar imediatamente duas coisas num país: a limpeza das ruas e o modo como conduzem. E a Polónia passa, assim como a República Checa. É um país tão ocidental como “nós”. A cortina de ferro foi derretida e reutilizada em edifícios, novos aeroportos, novas infraestruturas, ficando apenas alguns resquícios dos tempos idos nos edifícios mais antigos, pesados, sombrios, com aquele charme soviético. A Polónia ainda assim se destaca da República Checa. A malta desenrasca-se bem com o inglês e embora ainda falte um sorriso no rosto daqueles que nos atendem em mercearias, supermercados e outros locais em que o turismo não é mais que o pão da manha e alguns sacos de mercearia, o pessoal dos hotéis e dos locais cliché são simpáticos na sua generalidade. E lembrem-se, estamos num país onde às 16h começa a noite e onde os termómetros precisam de uma escala negativa tanto como da positiva.

DIA 1
Chegámos ao fim da tarde mas tínhamos já programada a primeira paragem: Lost Souls Alley. Não vem nos guias (e espero que nunca venha), não está nos postais, e muito menos tem um nome que rima com Shaparova. Mas já lá vamos, isto porque pelo fato de chegarmos atrasados 5 min, rapidamente arranjaram outro grupo para nos substituir com esta justificação como desculpa. Hotel xixi e cama…

DIA 2
Para nosso azar era feriado e muitas coisas estavam fechadas. E mesmo aquelas que pensámos estar abertas passaram uma rasteira. Era o dia ideal para dar à perna e andar por aí. Paragem imediata no centro, na praça do mercado onde está a poderosa Basílica de St Maria (nome original e nunca antes usado). Visitem a basílica de dia, onde a luz do sol pinta os vitrais. De noite (lembrem-se, 16h…) é uma grande basílica amorfa. Logo ao lado está a Torre do Relógio e uma grande cabeça de Bronze do artista Eros Bendatos que…tem dois olhos, um nariz, e está embrulhada no que parecem ser fitas de papel higiénico; não é um monumento histórico mas sim uma obra de arte que atrai por quem lá passa. Se prosseguirem a tour ambulante, facilmente encontram a igreja de St Adalberto e de St André, logo ao lado de St Peter e St Paul.



Mais deslocado do centro está o castelo de Wawel, que no dia em causa, e sem aviso prévio, estava fechado… Podem fazer várias tours, sendo que no nosso caso tínhamos direito a escolher duas de graça (calhou termos essa benesse nessa data): Lost Wawel com ruínas subterrâneas, esculturas, ladrilhos e outras que tais incorporada no departamento de ruínas arqueológicas. Depois temos os State Rooms, que vos leva por vários aposentos de cheiro a humidade, alcatifas e tapetes a gosto e uma ou outras estátuas e quadros de senhores feudais de pose e bigode duvidoso. Claro que a tour que deveria ter o nosso reconhecimento máximo é o Dragon´s Den! E tcharan: estava fechado! Ficamos apenas com a imaginação do que seria: a cave de um furioso dragão que foi morto por um pastor por comer o seu rebanho, usando uma ovelha do próprio (RIP ovelha da qual nem se sabe o nome) envenenada. O dragão ainda se encontra no lado de fora da colina e ainda cospe fogo se enviarem um sms para um determinado número. A colina de que falo é a envolvente do castelo e que pode ser visitada gratuitamente e que tem privilegiadas vistas para o rio Vistula (vistas-vistula… grande piada). É aqui que os atletas de domingo vêm fazer o seu running e patinagem.

Ainda estávamos no início da viagem e por isso as pernas aguentavam tudo. Fomos para o Bairro Judeu Kazimierz onde podem também visitar o Cemitério Judeu Remuh, um cemitério muito antigo e inativo onde se encontram alguns judeus polacos importantes. Está bastante abandonado sendo que algumas lápides já sofreram nas mãos dos nazis (usadas para pavimentar estradas) e que posteriormente foram recuperadas e trazidas de volta.

A noite acabou num bom restaurante italiano Pino, onde tivemos quase um show cook de pizzas, pastas, grelhados, etc.


DIA 3
Pode-se dizer que este é o dia D… esta viagem teve um propósito desde inicio, que era a visita a Auschwitz. Sempre fui um interessado por esta matéria, li e vi documentários e filmes sobre o mesmo. Saber que certas coisas aconteceram, e que o local que lhes serviu de plataforma existe e guarda memórias e vestígios desta escorregadela da decência e lucidez da humanidade, era motivo suficiente para uma viagem até este lado da Europa.

Por sorte, ou não, decidimos fazermo-nos à estrada (70km) que nos levaria aos campos. 70kms=1hr com margem… ou não. A fila ao chegar à vila onde se encontra o campo toma um andamento de lento a parado. Por isso, se ficarem longe, contem com bastante tempo para a viagem. Comprámos visita com guia, e só assim faz sentido, além do mais, a visita é estupidamente barata. Facilmente as pessoas continuariam a ir se triplicassem o valor do bilhete. E deviam fazê-lo, este espaço necessita manutenção para continuar a contar a sua história, para os que, como eu, só o tinham sentido em documentários e literatura, não sejam privados de sentir as emoções reais que este palco de vergonha nos transmite. Ficam as fotos, palavras são dispensáveis. Valeu a viagem!




Seguimos destino para Brno, que ainda ficava longito. Foi uma road trip que se fez bem, boas estradas, 130 de limite de velocidade, várias faixas.

Brno está um estaleiro de obras, várias saídas fechadas e um trânsito intenso, torna esta cidade pouco amiga do carro particular.

DIA 4
Brno é uma cidade também engraçada, com um centro histórico marcado pela polémica escultura em forma fálica, que chama as atenções pela sua cor negra, e a sua posição central na praça. Mas o dia iniciou-se nas caves mais a norte. Brno tem um sistema complexo de caves e grutas, muitas delas ainda a serem descobertas e fechadas ao público, outras que podem ser visitadas. Fomos a duas grutas principais; Katarina e Punka. Nesta última vão poder fazer uma viagem de barco no interior da gruta. O guia fala Checo, pelo que vão ficar a perceber o mesmo do que quando entraram. Mas vale a viagem. Já na Katarina fazem visita guiada e irão apanhar alguém que fala inglês e vos faz uma tour interativa nesta cave. A mesma é usada para concertos, para eventos; a sonoridade é pois claro, espetacular, e as salas são enormes. Na Punka cave podem ver o , uma garganta enorme escavada na rocha que encerra uma lenda algo macabra sobre o sacrifício de um filho em prol de outro e de um suicídio para acabar com a cereja no topo do bolo. Ide ler que isto não é o correio da manhã… este abismo pode ser visto de baixo (a vista mais conhecida, fotografada e bonita), mas também podem dar a volta e vê-lo de cima (claro que as vertigens não promovem esta visita…).


De tarde voltámos à cidade e começámos as visitas de cortesia a tudo que é monumento no centro da cidade. Convento dos Capuchos (cripta); aqui estão mumificados vários membros e outros ilustres da altura, benfeitores do convento. Bem pertinho está a imponente catedral S Peter e S Paul, um gigante no meio de casas do clero e outras. Está de tal forma rodeada de construção que não se consegue ter uma vista completa da sua grandeza. Só uma tele objetiva permite, de um local afastado e estratégico, sacar uma foto deste monumento (ora, não tendo eu uma tele, nem querendo ir para um local estratégico afastado, não tenho tal foto). Aqui pertinho está também o Mercado da Couve  :) Uma grande praça, com uma grande fonte no meio, como as grandes praças devem ter; no entanto, o movimento aqui não tem o habitual dinamismo destes locais.

O dia acabou à noite, num restaurante que nos deixou a roupa empestada com cheiro a fritos, e onde a empregada tinha um claro problema com turistas e pessoas em geral… por azar não me lembro do nome.



DIA 5
Saindo de manhã cedo, com um bonito sol a acompanhar, conduzimos por aldeolas pitorescas, e bosques farfalhudos, rasgados pelos raios de sol refletidos na neblina matinal, criando aquele cenário tipo Walking Dead.
Chegámos ao Pernštejn Castle, que foi propriedade de Lords of Pernštejn. Sim, há malta que tem casas na praia e malta que tem um castelo! Para nossa não surpresa, estava fechado, embora pareça que abre ao público noutras alturas.
A vista de fora é bem gira e toda a envolvente nos remete para um episódio de Game of Thrones. Mesmo fechado foi giro dar uma caminhada de manhã no meio da natureza e tirar umas fotos neste castelo.



Já no centro de Boskovice, já que o castelo que falámos há pouco nao está perto do centro, temos uma mansão, o Chateau Boskovice, que não percebemos bem o que era, e que parecia estar fechado ao público (no interior tem mobília da época de 1820 e obras de arte), temos uma sinagoga Judia que também estava fechada e a St Jabob´s Church também, adivinhem, fechada! Mas esperem, algo estava aberto:! O Jewish Cemetery, um dos maiores da República Checa, algumas lápides muito velhinhas e degradadas, outras mais recentes, que no global pareciam esquecidas no tempo.

A manhã tinha passado e a tarde caminhava a passos largos, regressámos ao centro de Brno!


Tendo carro alugado, foi fácil a pequena deslocação ao Castelo de Spilberk (não é do realizador). Podem fazer a típica visita à torre, podem apreciar a tal vista privilegiada da Catedral. Tem um sistema de grutas, onde, de uma forma organizada e com placas explicativas, não exaustando a capacidade de leitura em inglês, de um turista, em férias. Durante a guerra dos 30 anos foi uma fortaleza; foi uma prisão, e serviu como abrigo aos próprios nazis. Tem também algumas salas com representações de máquinas de tortura (não se entusiasmem… não é nada de dramático ou terrifico!).




Ao voltarmos ao centro descobrimos por acidente uma igreja com um aspeto exterior pobre, muito discreta. Decidimos entrar e encontramos uma espetacular igreja (vocês desculpem-me mas eu nunca sei o que é igreja, capela, catedral, basílica, etc. ao menos assim mantenho o dinamismo da descrição ). St John´s Church onde encontramos no seu interior a Loretto Chapel. A história associada a estas construções é engraçada e longa, mas vale a pena googlarem-na. Encontrámos uma freira muito simpática que prontamente se ofereceu para acender as luzes do teto para vermos as magnifica pinturas 3D style. A capela nota-se que é antiga e que quem trata dela é um punhado de voluntários, que naquela noite preparavam uma missa/concerto. Um deles veio falar connosco, e mesmo estando a preparar aquele concerto, dispôs-se a fazer-nos uma visita guiada à igreja. E que fixe foi. Como podem pesquisar, esta capela tem uma das replicas da Escada Santa (a escada que jesus subiu no caminho para o seu julgamento), tem a historia de Jesus pintada em vários quadros que nos guiam durante a mesma, e tem, como já disse, um magnifico teto pintado, parecendo 3D. Saímos dali felizes e orgulhosos desta descoberta!

De novo no centro, passámos no famoso túnel com o crocodilo, que nos guia à old Town Hall. Várias lendas falam deste crocodilo, que na realidade representará um Dragão, que outrora atormentou a cidade e foi morto por um talhante. Outra lenda é que o escultor que criou as formas da torre, não terá recebido o seu pagamento, e deixou, deliberadamente, a coluna do centro dobrada…. Só historias giras!



O dia permitiu também uma visita ao Botanika Zahrada. Um jardim onde podem tirar as luvas e o gorro e por alguns minutos sentirem que estão na selva tropical. O preço não é elevado e mesmo para quem tem as plantas em pouca consideração, é um sítio giro para se aprender algumas coisas e ver outras que não veríamos no pinhal perto de casa.

O plano seria visitar St James catedral e a sua fantástica Cripta do Ossuário. Os planos falharam e o horário inflexível e curto dos Checos não ajudou. Às 17:55h demos com os olhos na placa informativa do horário e decidimos não chorar muito sobre este assunto. Veríamos mais tarde fotos na net e imaginaríamos como teria sido… Regressámos ao fantástico apartamento que tínhamos reservado, pois o dia seguinte seria de viagem de regresso a Cracóvia

DIA 6
Todos conhecem o famoso filme de Oscar Schindler e a sua lista. Resumindo em muito a história, este senhor, à sua maneira, protegeu uma quantidade de judeus de um destino que conhecemos, e usou uma fábrica como fachada e justificação para os manter sobre sua alçada. Essa fábrica já não existe como fábrica, mas o edifício permaneça no mesmo local e está transformado numa espécie de museu; mas não tão seca… Fabryka Emalia Oskara Schindlera. Há muita coisa a ler e a aprender e embora se chame Oscar Schindler Exhibition, fala um pouco de toda a história deste período. Em algumas alturas tornava-se um pouco confuso e cansativo, mas acho que vale a pena a visita. Faltava a referência do período pós guerra, onde os judeus continuaram a sofrer e no qual se registaram novos massacres, mesmo por parte dos próprios polacos; mas o essencial, aquilo que todos de uma forma ou de outra já tínhamos ouvido falar, está lá.
Ocupou-nos toda a parte da tarde, sendo que a manhã serviu para visitar o castelo Wawel. O tal que estava fechado lembram-se?


O final do dia reservava-nos a tal visita ao Lost Souls Alley. Uma experiencia de terror com atores reais que nos fez borrar a cueca. Se entrarem no espírito, se não foram parvos, se não agirem como se fossem os maiores mas na verdade com medo, a experiencia é brutal. Não vou explicar o que se passa claro, mas posso garantir que fica na memória e se forem muitos, como nós, vão-se rir disto até ao final da viagem!

DIA 7
Minas de Sal! Wieliczka Salt. Este território foi outrora rico em minas de sal. De onde o mesmo foi extraído e comercializado, sendo que como sabem, o sal antes seria até mais valioso que o próprio ouro. Foi extraído até 2007, até que se concluiu que não compensa economicamente o trabalho de extração. Mas dá para sentir a realidade do que ali se passou e das horas e sacrifício dos mineiros, e dos pobres cavalos que lá trabalhavam também. Fizemos duas rotas: uma rota turística, para onde vai a maralha toda, e a rota dos mineiros. Uma ideia genial que consiste em permitir aos visitantes sentirem na pela (só um bocadinho de nada) o que era ser mineiro na altura. Desde vestir um fato a rigor, com capacete e lanterna, a partir pedra, cortar madeira, entre outros, os visitantes podem, em pequenos grupos, e sem o pesado ambiente criado por esse ser que é o turista de máquina ao pescoço e meia branca até ao joelho; visitar um lado mais calmo e bruto da mina. As duas rotas ocupam grande parte do dia, sugerindo que façam uma rota de manhã e outra à tarde. Assim até podem ir até Cracóvia de novo, para almoçar, ou comer uma bola de gelado por 70cts!! E sim, gelado é bom seja em que altura do ano for, e com o clima que for. Neste período fomos visitar o museu subterrâneo Rynek Underground que se esconde por debaixo da praça principal de Cracóvia. É muito iterativo mas muito pouco interessante… não vale o bilhete.


Acabámos o dia de uma forma original, ainda que não tenha diretamente a ver com o sítio onde nos encontrávamos; o que não significa porém que todas as visitas e atividades tenham que ter Cracóvia escritas no mapa; fomos fazer uns Exit Games , os quais completámos com sucesso, mas com alguma ajuda…
Foi um dia divertido, mas o avião cedo obrigou-nos a recolher ao fantástico apartamento que tínhamos em Miodowa. Mal sabíamos que o mesmo avião se atrasaria 6hr… o que nos impediu de manter os planos de usar a escala entre aviões para dar um saltinho ao centro de Londres.

Desta vez eramos 5 em viagem! O que é bom para dividir despesas fixas como o carro, gasóleo, etc. os próprios apartamentos ficaram económicos. Quase todos os bilhetes foram comprados anteriormente online, o que nem sempre correu bem pois os horários obrigavam-nos a uma disciplina que nem sempre existia. Com uma refeição decente por dia a viagem terá rondado 500/600€ por pessoa, sendo nós 5. Que fosse apenas por Auschwitz, vale a pena a viagem! Até à próxima… talvez umas ilhas… talvez o caribe….

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