domingo, 15 de março de 2020

Grécia - Santorini


Chegou a vez do mediterrâneo puro. Que mais mediterranice que ir até à Grécia? 

O país dos filósofos, dos pensadores, da crise dos membros do sul e do iogurte espesso. Podemos já começar por aqui: o iogurte grego que nós aqui compramos e que aparenta ser espesso e nos dá a sensação de “ah sim senhor, isto é que é um iogurte à homem”, lá ganha outra perspectiva. O iogurte grego, da Grécia, confunde-se com um queijo fresco…. O seu estado encontra-se entre o liquido e o sólido, da tal forma que se espetarmos uma colher, ela fica rígida e aguenta-se na posição.
Mas vamos focar-nos... a Grécia é grande e tem como grande atrativo as suas ilhas pesadamente turísticas. Foi para aqui que fomos: Santorini. Colocou-se a questão se havíamos ou não de saltitar pelas outras ilhas, mas decidimos não o fazer. Tivemos então uma semana e uns dias para explorar a ilha.

DIA 1
A chegada presenteia-nos com um aeroporto notoriamente mais pequeno que a horda de turistas exigia (e estávamos em final de Setembro). O vento também estava presente (como é uma constante nesta ilha) e o sol brilhava forte. 

A primeira viagem de autocarro, que nos levava à capital Fira, serviu para conhecer o ambiente genuíno do povo e do dia a dia dos santorinenses. Depois de uma noite longa em viagem, estávamos cansados, e fomos diretos ao hotel tentar um duche, para depois irmos até à falésia onde o maior atractivo (as casas brancas) nos esperava. Assim o fizemos; este primeiro dia foi um pouco de pasmaceira, já que estávamos cansados. Fomos caminhando, parando, observando. Santorini tem na sua face norte (oeste???), uma falésia que abraça todo o seu comprimento. E entre Fira, Firostefani e Oia,

 o grande atractivo e motivo de biliões de pixéis são as suas casa brancas, telhados azuis, e os caminhos vedados ao trânsito automóvel. 

Uma recomendação que deixamos: obviamente (€€) que nós ficámos alojados em guest houses ou casas geridas por famílias, mas ponderem gastar numa ou duas noites, sairá um pouco (muito) mais caro, e fiquem alojados num dos milhentos hotéis à borda da falésia. É de facto uma experiência à Hollywood, que achamos que vale a pena.



DIA2
Hoje já tínhamos mais energia para explorar aquela parte da ilha, pelo que nos metemos por todos os recantos que existem. Fira é massivamente turístico, com  muitas lojas, cafés, restaurantes, etc. e por falar em restauração, ao contrário do que seria expectável, consegue-se comer aqui pelo mesmo preço de Portugal (talvez não pela mesma quantidade) e comida boa! Palmilhámos tudo que fosse escada, ruela e ruinha e ficámos ambientados e embrenhados na vivência deste pessoal. Percebemos também que os serviços camarários são muito… discretos. Não se vê polícia, homens do lixo, pessoal a limpar as ruas. O facto é que há uma necessidade de aumentar estes apoios pois víamos contentores a transbordar, zonas (que não as adjacentes aos hotéis) tratadas com descuido, e percebemos que mesmo num destino destes há miséria, há malta a pedir, e nota-se que o pessoal trabalhador dali não tem a mesma sensação que nós temos ao acordar e estar num resort maravilhoso…. Diria mesmo que o nível de vida é baixo e é duro.



DIA 3
Hoje foi dia de cansaço e de exercício. Para quem gosta (como nós) de trekking, caminhadas e mais adrenalina e aventura, Santorini fica na qualidade de estância termal sexagenária… Mas calma! Há uma hipótese de fazer algo mais radical; de Fira até Oia existe um trilho sempre à beira da falésia, que passa por Firostefani, Imergovilli e que durante 9km vos permite estar mais em sintonia com a natureza, com vistas lindas e com o sol a bater-vos sem piedade no pescoço. É um trilho sem sombras, com algumas partes em terra e pedra, e que demora entre 2 a 4hr a fazer. Mas vale a pena. Claro que ao chegar a Oia têm duas opções: ou ficam por lá, com as sapatilhas e pernas cheias de pó, e a cheirarem a maratonista, ou regressam no primeiro autocarro que apanharem. Optámos pela solução 1.

Oia é uma terra de calibre diferente de Fira. Claro que o turismo é uma constante, mas digamos que sobe de patamar. As lojas são mais chiques, mais caras, a própria atmosfera é mais requintada. Consegue ser um pouco mais calmo que Fira. De resto tem o mesmo tipo de paisagem e de beleza, com uma salvaguarda: as pessoas vêm ver aqui o pôr do sol como se fosse o último das suas vidas. Dizem ser o mais bonito do mundo... e de facto é bonito, mas na Praia da Barra também se conseguem umas fotos engraçadas…. Isto significa que ali por volta das 19h a vila pára, toda a gente se empoleira em muros, escadas, e varandas privadas, para a foto da praxe (sendo que muitos só vêem o cenário através do ecrã). E quando o sol efectivamente se vai embora, toda esta horda de gente pasmada regressa às suas vidas causando uma hora de ponta de sinal vermelho em qualquer sistema de trânsito. Se querem apanhar o melhor ângulo, é melhor tomarem lugar lá para as 17h.




Ao regressar tentámos o autocarro. E é aqui que quero falar deste sistema peculiar de transporte. Não é que não haja várias rotas e horários, a questão é que nem sempre são respeitados; os autocarros vão muitas vezes cheios (literalmente cheios, com pessoas em pé no corredor e ao lado do condutor). Os motoristas são auxiliados por um pica, e ambos têm tendência a serem brutos, assertivos, e sem grande paciência turística; o que torna a viagem por si só muito engraçada e genuína. Rimo-nos em quase todas as viagens que fizemos. Os valores rondam os 2€ por viagem e é seguramente o meio mais fácil de nos deslocarmos.



 DIA 4
Era altura de irmos para o outro lado da ilha. De autocarro pois está claro. É nesta latitude que se encontram as praias. Muitas pessoas têm uma pré concepção de Santorini como sendo um destino de praias. Na verdade, tem praias de facto, mas qualquer uma delas fica atrás de uma Mira ou São Pedro de Moel. A areia é escura, em alguns locais muito fina, tem bastante algas, e o tamanho do areal é reduzido. Entre estas, a melhor que encontrámos é a praia de Perivolos. Existe também a possibilidade de visitar a Red, White & Black beach. Por 20€ podem apanhar um barquinho em Akrotiri, embora haja outros locais, que vos leva e traz a estas praias. Podem ir sim de carro, ou mota se os tiverem, embora os acessos sejam manhosos. O importante é dizer-vos que: não vale a pena… nem de uma forma nem de outra. Sendo que na white beach o areal está tomado por guarda sois, que são pagos à parte! O que nos deixa sem grandes opções… lá passámos o resto do dia a andar de barco e a saltitar entre estas praias. Ah, ainda não falei do mar. por esta altura a temperatura é parecida com um Algarve nos seus dias razoáveis; não tem ondas, e a prática de snorkeling só vos recompensa com meia dúzia de peixinhos que gostam de vos cheirar os pés…



DIA 5
No primeiro dia em que chegámos, comprámos de imediato uma tour que nos levava ao vulcão e cratera, e às hot Springs da ilha adjacente Nea Kameni

O que se passou é que no dia anterior havia previsões para vento forte. Pensámos que uma caminhada sobre o sol duro, numa ilha com muita terra e pó, com o tempero do vento, pudesse não ser assim tão giro. Ajudou também ter lido num fórum qualquer que as Hot Springs não eram assim tão Hot, além de termos que nadar um pouco em agua fria, para lá chegar… com um guião bem estudado e algum nervosismo, fomos à agência cancelar aquilo e acabámos por perder 20€. Passámos o resto da tarde a descontrair no porto Velho. De Fira, podemos descer por 500 degraus até este porto (de onde arrancam os barcos das tours, dos transfers dos cruzeiros, etc). foi nesta altura que tivemos o nosso momento de tristeza e revolta da viagem, ao passar pelos burricos que, de forma exploratória, carregam os alegres e sonsos turistas por estes degraus escorregadios e inclinados. A tristeza nos seus olhos é palpável.. claro que quando os “tratadores” no perguntam “donkey?” e nós dizemos “fucking not!”, eles murmuram qualquer coisa e tentam os próximos clientes.
Já referi antes, conseguimos comer bem e a preço justo em vários locais. Aliás, comemos sempre bem em todos os sítios. Mas gostava de salientar o Greek Bites. Um espaço longe da rota turística, com um empregado engraçado, preços baixos, e boa comida.

DIA 6
Este prometia ser um dos dias menos concretos e organizados, mas também divertidos! Alugámos uma scooter. É o meio de transporte de excelência daqui. São baratos, consomem pouco, e nem sequer precisam de andar de capacete (mas andem!). a ilha é tão pequena que num dia conseguem circundar a mesma. Ainda não tínhamos conhecida alguns dos pontos turísticos e a scooter permitiu parar por lá. O farol de Akrotiri

o complexo vinícola de Santo Wines, a cidade medieval de Pyrgos e algumas das praias que ficaram por ver. A nível de praias, a exigência portuguesa continuava a prevalecer e a não deixar que ficássemos muito entusiasmados com o que encontrávamos. É de referir que na praia Theros, existe um conhecido café, com um aroma de ambiente surfistas e boa onda, o Theros wave bar. A cidade medieval é engraçada, devem passar por lá e passear pelas suas ruas e ruínas.
Seguimos estrada fora e mal demos conta estávamos de novo em Oia. Foi só rumar de novo a Fira e quando reparámos já o dia tinha passado.

DIA 7
Foi propositadamente que colocámos dois dias em simultâneo na agenda. e porquê? Porque os dois próximos dias são passados em Kamari

Uma zona assumida de praia. E o que é Kamari? É uma avenida estreita e longa, com 500 restaurantes, lojas de souvenirs, de roupa e mercearias e… restaurantes. Fora disso tem uma longa estrada sinuosa, sempre a subir (ou sempre a descer…) que nos liga à antiga Thera, um local arqueológico. É giro ir até ao topo se tiverem pernas e tempo de sobra…. Tem uma vista engraçada. E é isto, é ver pessoas, estar na praia, ir ao mar, perder 1hr por dia a ver no tripadvisor onde ir jantar, e passam-se os dois dias. No nosso caso, houve um elemento perturbador que tornou tudo mais seca do que parece, que foi o facto de estar a chover, vento e frio. O que num local destes, limita muito aquilo que podemos fazer…




DIA 8
Atenas!!! Cidade mítica de matemáticos filósofos pensadores e pedras com história. Obviamente o maior atractivo são as ruínas de Acropolis

Que custam cerca de 30€ por pessoa. Se forem como eu, e não dão muita importância a pedras históricas e vasos de porcelana com 700 anos, talvez seja um valor caro. Alem disso a chuva que nos perseguiu nos dois últimos dias… piorou. O dia ameaçava ser molhado. Comprámos o belo do guarda chuva de 5€ e seguimos caminho. Procurámos um spot para uma foto à pobre, ou seja, que desse para ver o Parthenon, sem ter que lá entrar. E encontrámos; vários. Ao redor da Acrópole há um parque muito grande com vários miradouros que permitem uma vista incrível da cidade. E que cidade! É enorme! Um dos pontos conhecidos para servir de miradouro é Philopappos Hill






O mapa indicava haver uma zona pitoresca, histórica, perto de Plaka. Creio que não a encontrámos; ou pelo menos, nada parecido com as fotos da net… mas continuámos a caminhar por ali; passámos de facto por zonas mais históricas, com ruelas movimentadas, cheias de turistas, cafés, restaurantes, o habitual. Também digno de nota foi o parlamento (que não valia sequer uma foto, era uma construção muito muito normal e sensaborona.  Mas a melhor parte foi o mercado aberto de Monastirakei.
Meia dúzia de ruas com uma incrível oferta de lojas diferentes. Lojas de vinis, de merchandising de bandas, de roupa de marca desportivo-estilosa; de roupa de linho, de bonés, de material militar, etc, etc. para mim foi o top de Atenas. E ao fim de tudo isto eis que os céus se abrem e nós tivemos que tomar refugio na Catedral Metropolitan

As ruas pareciam rios, pelo que tivemos que abandonar a visita urbana e seguimos para o aeroporto (à borla num comboio onde não se percebia muito bem onde comprar bilhetes….)

Foi uma viagem relativamente barata e indicada para quem queria relaxar e possa gastar um pouco mais num alojamento tipo villa, com vista para o mar e piscina privada. Se não for o caso, 1 semana ou 4/5 dias é suficiente. E comam iogurte, e moussaka!


domingo, 8 de março de 2020

Japão



Saudações viajantes incansáveis.

Com muito gosto vos presenteamos outro percurso. Aquele que mais trabalho deu a planear. Não porque a informação fosse difícil de reunir (pelo contrário), mas porque havia muita coisa para ver, e tínhamos que tomar decisões e abdicar de certas vontades. Japão! O nome causa surpresa, talvez devido à distância e da percepção que existe sobre ser um país quase alienígena. Como dizia, a informação é incrivelmente fácil de encontrar. Os nipónicos têm tudo bem organizado, e os sites de turismo deles são incríveis, nomeadamente o Japan Guide.
Depois de muita escolha e ponderação, sabíamos que tínhamos que ir a Tóquio e Quioto. De resto, e para fugir à rota mais comercial, desviámos-nos para Nagano, Takayama, Kanazawa. Estes últimos pontos requeriam alugar carro, pois tornava-se complicado depender apenas dos transportes públicos.
Resta dizer antes de arrancarmos, que o Japão é o país mais civilizado e seguro onde já estivemos. As pessoas são incrivelmente respeitadores, prestáveis, com uma noção cívica e de bom senso, que nos chega quase a incomodar. Sentia que podia andar com um maço de notas no bolso, à vista, que ninguém ia roubar. Não há lixo algum no chão, assim como incredulamente, não há caixotes do lixo. As filas são escrupulosamente respeitadas. O sorriso de quem atende é uma constante. Têm wcs públicos em qualquer esquina (sem que seja preciso pagar para mij”#), e sempre limpos. Existe uma obsessão qualquer com vending machines, que existem às milhares. Usam carros pequeninos, parecem de brincar. Fecha tudo super cedo (se querem jantar, é bom que às 18h já tenham restaurante escolhido!). e por fim, a moda….. as roupas e a conjugação de cores são… originais.
O inglês não é algo que esteja bem difundido, mas fizemos-nos perceber em todo o lado. O pessoal mais velho, que fala 0 inglês, deixou-nos uma marca no coração pela simpatia e vontade em ajudar os ocidentais. Em perceber de onde éramos. Trocaram-nos notas dentro do autocarro para podermos pagar o bilhete; usavam aplicações de tradução nos iphones para nos explicar quando era o próximo autocarro, etc. Uma doçura.
E sim, os gajos são muito agarrados às tecnologias e aos gadgets. Tudo anda corcunda a olhar para os écrans; existem salas enormes com máquinas arcade, que tinham jogos que nós não conseguimos perceber como se jogavam…. As sanitas têm um spa integrado. Os comboios rolam ao minuto. Mas depois acontecem outras coisas que faz pensar que alguma coisa parou no tempo… usam plástico em tudo e mais alguma coisa e a mão de obra é usada de uma maneira inútil; há por vezes duas pessoas para a mesma função, função essa que em muitos casos poderia ser desempenhada por um pino!
Por ultimo, comprem um pocket wi-fi!!! Sem ele a viagem seria muito mais desafiante….

Dia 1
Bem, o dia 1 não existiu, uma vez que o voo de ligação foi perdido. Ficámos assim com algumas horas para visitar Zurique. Que diga-se de passagem, pouco tem para ver. Esperemos que este dia nos renda 300€ de indemnização por falha no voo!

Dia 2
Estávamos na grande metrópole! Tóquio. Ficámos num hostel que se situava ao lado de Sensoji Temple.


O primeiro de muitos templos que haveríamos de ver. E foi um bom começo. Tinha toda a roupagem que carateriza estes espaços: uma fonte com colheres de pau para lavarmos as mãos e livrar-nos das más energias; um estendal para pendurarmos as más sortes que por sua vez podem calhar nas “gavetinhas da fortuna”, um grande panelão onde se queimam incenso (previamente comprados em estilo de oferenda) e todo o enquadramento estético das formas destes templos. Nós fomos retirar um dos papelinhos e saiu-nos sorte! Portanto, não precisámos de estender o papel.
De frente do templo tem uma rua recta que de dia se enche de movimento e de barraquinhas. Foi o primeiro impacto  e oportunidade de admirar o tipo de comida desta malta. Sempre colorida, bonita, atrativa e… é isto…. Revelou-se muitas vezes parecer melhor que o que sabia.
Íamos todos contentes para o museu do Sumo, Ryōgoku Kokugikan, na esperança de ver algum gordalhufo a treinar. Pelas margens do rio Sumida íamos apreciando a paisagem da mais limítrofe da cidade. Passámos pelo jardim Kyuyasuda e eis que o estádio estava logo ao lado; fechado… fechado não porque era cedo, mas porque estava mesmo em obras. Ou seja, primeira falha do nosso roteiro.
Tínhamos que ir para o próximo pin, e para isso usámos o metro. Comprámos o pass, que facilmente compensa se tiverem que fazer mais que 4 viagens. E têm…. Fomos para Ueno.
Aí encontrámos o Mercado Ameyoko.
Uma fantástica rua com montes de comida de rua, lojinhas, coisinhas, e muita gente. Aí tivemos a experiencia mais autentica a comer; nuns bancos na arrecadação do “estabelecimento” a comer uns dumplings. Daí, seguimos a pé para o parque de Ueno, onde têm também um Zoo, que optamos por não visitar. Deambulámos depois um pouco perdidos e fomos ter sem querer ao Kan'eiji Rinnoji-no-miya Cemetery.

Pessoalmente gosto sempre de ver cemitérios; acho que são uma exposição de cultura tradições e perspetivas de vida que mostram muito sobre determinado povo. Neste caso evidenciam-se uns paus tipo pau de gelado com uns dizeres estampados, colocados nas campas. Têm também muito budinhas e sempre oferendas junto dos mesmos, mesmo que sejam duas minis! Logicamente não há cruzes, sendo que a maioria da população é xintoísta ou budista, havendo uma relação muito estreita e pacifica entre os dois. Aliás, daqui para a frente vou sempre referir-me a templos, no entanto, caso sejam Xintoistas, o termo correto deveria ser Santuário. Mas como não apontei, agora não me lembro o que era o quê…
Mais um Santurário 😊, o Toshogu Shrine localizado no próprio parque.
Caminhando mais um pouco passamos pela Lagoa Shinobazu e o  Shinobazunoike Bentendo Temple. Este ultimo era mais pequeno e mais “comercial”. A lagoa estava cheia de uma “couves” que não sabemos o que é e que ofereciam um contraste engraçado com os prédios altos da cidade.
A seguir íamos para um dos pontos que estavam de facto planeados; a zona de Akihabara.

Não há nada em concreto para ver aqui, é bom simplesmente para caminhar e apreciar a paisagem humana. Há imensas lojas de jogos, em que, ao entrarmos numa, estamos num mundo paralelo! De cor, de luzes, de musica ata, e e de máquinas todas iguais, com um aparente jogo que não se joga…. Não percebemos o intuito do jogo mas tinha certamente muita cor e som e coisas a acontecer. Os miúdos ficam sentados a jogar isto o dia todo, com os seus phones e telemóveis a funcionar ao mesmo tempo. Temos também montes de lojas de Anime, Manga e outros livrinhos de bonecada, que têm legiões de fãs. Também quisemos entrar numa loja claro, e e de facto muito estranho ver malta adulta a olhar para desenhos de bonecas sensuais e a decidirem qual livrinho é o melhor… ah, e peluches, também têm uma pancada por isto. Sabem as máquinas das feiras, em que se mete 1€ para a garra falhar miseravelmente a apanha do boneco, como se tivesse uma doença muscular? Eles têm salas com dezenas destas máquinas! Já chega de geekagem. Vamos ao Palácio Imperial. 

Aqui vive de facto o imperador e por isso o acesso é fechado. Mas podemos e devemos vê-lo de fora. Sendo que o próprio parque que o rodeia é agradável.
Estava a chegar o final de tarde. Que aqui significa que chega a noite, pois na terra só sol nascente, o astro também se deita cedo. A dita é acordarem a horas proibitivas para aproveitarem o dia. Sendo que tudo fecha cedo (às 18h convém começarem a preparar a rota dos restaurantes e escolherem um até às 19h no máximo) começámos a dirigir-nos a uma zona mais central. E a Estação de Tóquio é bem central! Faz lembrar a Grand Central Station. E dentro da própria etação existe um centro comercial em piso térreo, e neste emaranhado de lojas existe a Ramen Street, que como o nome indica, é uma Rua com uma escolha infindável de restaurantes que servem este chá de porco e noodles. Na verdade até é saboroso, mas começa a enjoar ao fim de alguns dias. Por isso apenas demos uma olhadela e seguimos caminho. Apontando para a zona da baía descobrimos o Tokyo International Forum; não é propriamente uma atração turística (aliás, eramos os únicos turistas la dentro, mas merece a visita pela espetacular arquitetura interior do espaço.









Já não me lembro onde jantámos, mas lembramo-nos bem do que fizemos a seguir: Tokyo Labs Planet.


Uma atração totalmente turística que descobrimos numa publicidade qualquer. Julgo que é algo temporário, tipo exposição, e que vai mudando de local; mas tivemos a sorte de a apanhar e podemos dizer que foi 1,5h bem passada. É uma espécie de museu interativo/parque de diversões. São experiências sensoriais, muito engraçadas e alucinadas! Ainda sobrava energia para ver Asakusa à noite (onde era o nosso hotel).


Dia 3
Outra aventura nos esperava. Alugar carro e andar de shinkansen, o comboio bala!

Como todo o sistema ferroviário, estes comboios cumprem ao minuto! E sim, são rápidos; ao ponto de não podermos olhar muito tempo pela janela, senão enjoamos! são espaçosos e cómodos, mas podem ir apinhados em certas horas, com pessoas de pé inclusivamente. Se não reservarem com antecedência, é possível encontrar na mesma bilhete, mas pode calhar-vos qualquer lugar, ou mesmo terem que ir em pé.
Em relação ao carro; eles conduzem à direita, com mudanças manuais, muito devagar e no rent a car não falavam inglês. Mas como em tudo, lá nos desenrascámos. Alugámos carro em Nagano, depois da viagem de comboio vinda de Tóquio. O destino seguinte era perto, Shibu Onsen, mas antes parámos mesmo em Nagano. Foi uma agradável mudança, do movimento sufocante de Tóquio, para a pasmaceira de uma parte pequena de uma cidade não muito grande. E ao estacionar o carro encontrámos o nosso primeiro templo Kankeiji. E logo ao lado o grande templo Zenkō-ji Temple, com bastante gente e com uma atmosfera muito tranquila. Notava-se que era um espaço não tao turístico,

 onde de facto estavam a celebrar “missas” e “comunhões” de miúdos vestidos de forma muito querida. Toda aquela zona adjacente é muito bairrista, com lojinhas a restaurantes e um ambiente muito familiar. Tentem encontrar uma loja que vende tartes de maça, quentinhas e estaladiças; foi o nosso almoço!
Voltámos ao nosso Suzuki para nos fazermos à estrada. Tínhamos que ir para Shibu Onsen, uma espécie de vila termal. Mas antes, e por um acaso, cruzámo-nos com uma povoação pequenina, onde existe um ponto turístico totalmente fora de rota! Matsushiro Zozan Chikago

 são uns abrigos (túneis) militares abertos na altura da 2ª guerra mundial, para servir de bunker. Aquilo é explorado por pessoal da Universidade da terra, e é muito pouco orientado para o turística ocidental. Mas tem um professor muito carismático que tenta por tudo explicar-vos o cenário. Embora o esforço seja louvável, se não fossem os flyers em inglês, tínhamos ficado a perceber 30%...
Então lá chegámos ao nosso destino. E então de que se trata Shibu? É uma pequena vila termal. Mas não com hotéis 5 estrelas e grandes edifícios. Tem alojamento local, onde podem aproveitar para ficar num Ryokan, uma casa típica japonesa, com aquelas divisórias em papel, e colchoes no chão, e cadeiras sem pernas. Se ficarem nestes alojamentos, têm direito a um acesso incluído aos Onsens. Para isso emprestam-vos umas vestimentas à samurai, que garante umas boas risadas; assim como umas sandálias de madeira, muito desconfortáveis, mas também muito cómicas. E estão assim prontos para ir para a rua. O sitio é muito bairrista e intimista, por isso não tenham vergonhas; vão encontrar outros cromos ocidentais vestidos assim! E finalmente a parte importante: homens e mulheres têm uma chave que abre uma das 9 casinhas onsen. São pequenas casas/garagens/lagares com uma pequena e baixa piscina, cheia com água a ferver, e onde podem estar a demolhar o corpo. A experiência acho que é mais enriquecedora no Inverno, e quando já cai a noite; torna tudo mais místico e relaxante. Além de que o quente da água sabe melhor. E quente que ela é….! o dia terminava
Na manha seguinte tínhamos no roteiro, os macacos da neve em Jigokudani Monkey Park. Foi um erro de planeamento uma vez que não havia neve. Aliás, teve mais calor no Jopão do que estava em Portugal naquela altura. Ora, sem neve, os macacos da neve são só… macacos. E a ideia da neve, é que promove a descida dos macacos da montanha, para umas “hotsprings” onde eles se aquecem e se banham. O seu spa privado. Portanto, além de não vermos macacos da neve, corríamos o risco de nem sequer ver macacos… fomos embora.
               

Dia 4
Este quarto dia foi menos preenchido pois tínhamos alguns quilómetros pela frente. Íamos em direcção a Takayama. No caminho parámos na Daio Wasabi Farm.
É uma quinta de wasabis, onde podemos passear livremente, e gratuitamente, vendo o processo de cultivo deste engraçado e feio fruto/tubérculo. Tem lojinhas que vendem uma infinidade de frutos à base de wasabi. Desde doces, aos salgados, ao fruto propriamente dito. Vale a pena o desvio.
Seguimos então par Takayama, não sem antes pararmos no Mister Donut 😊, uma cadeia de donuts que existe em vários locais e que mata a fome de forma muito doce!
Antes de chegar a Takayama, visi´tamos um dos castelo mais bonitos que vimos; com a vantagem de dar também para fazer uma visita bastante completa pelo interior; o Matsumoto Castle.

Em Takayama, já chegámos ao final da tarde. Demos de caras com o Sakurayama Hachimangu Shrine e a zona envolvente. Demos uma volta pela cidade. Muito acolhedora, com muita ruas estreitas e casas de madeira. Tem uma grande avenida, onde encontramos a maior parte dos restaurantes e lojas. Termina numa ponte, a Kaji-bashi Bridgeonde existem duas estátuas engraçadas do folclore japonês.


A procura por um local para comer levou-nos a becos com estabelecimentos catitas, pequenos e originais. Ao ir para o hotel, planeávamos o dia seguinte. Sabíamos que havia umas cascatas perto, as Utsue Waterfalls, mas o tempo que dispúnhamos, e a condição física da equipa, não era a melhor, então achámos por bem não fazer o desvio, mas fica a dica. Outras coisas nos escaparam, por disponibilidade de tempo ou por estarem fechadas. Por exemplo o Hida Kokubunji Temple e o Hida Takayama Karakuri ou Kakari Museu que é um museu de marionetas gigantes, que são protagonistas de um festival grandioso a acontecer na primavera e outono, o Takayama Festival, onde estas marionetas saem à rua, com andores e maquetes de templos em tamanho XXL.

Dia 5
O dia começou cedo, e frio. Takayama tem um percurso pedestre Higashiyama Walking Course, que dá uma volta pela partes mais interessantes da cidade. Supostamente e marcado, mas a marcação ou está camuflada, ou está pintada de invisível… lá seguimos o mapa, que nos leva por mercados matinais, por templos escondidos, que nos faz entrar na floresta e nos permite visitar vários templos espalhados pela cidade. É um percurso bem giro, mas não chegámos a fazê-lo na totalidade.
Voltámos para o carro e seguimos em direção a Hida Folk Vilagge.


É um museu a céu aberto, muito giro e muito acolhedor. Conseguimos ver como se vivia de facto, em tempo idos, nos tempos do Japão rural, frio e implacável. Um espaço muito bem conseguido.
Tínhamos mais estrada pela frente. E que bonita estrada. Estávamos nos alpes Japoneses. Esta região a norte oferece-vos a natureza, os trekkings, desportos de Inverno e o Japão mais genuíno. De tal forma, que a parte mais genuína é de facto Shirakawago.

É uma aldeia postal, que será bastante mais fotogénica no inverno, quando a neve a pinta de branco, mas que continua a ser bonita debaixo de um sol direto e agressivo, que frusta qualquer fotógrafo e impossibilita fotografias melhores que esta… Foi também aqui que provámos os bonitos e aparentemente apetitosos bolos de arroz; erro crasso…. Serviu-nos de lição para o resto da viagem
Saindo desta maravilhosa aldeia (bastante turística) dirigimo-nos para um mesmo tipo de atração, mas desta vez mais pequena e também menos movimentada; Gokayama. E vendo estes dois locais, ficam já com a dose recomendada de aldeias pitorescas.
Já era tarde quando chegámos ao destino final , Kanazawa. Uma cidade com algum tamanho, mas com uma zona ainda muito tradicional, o Higashi Chaya District. Um bairro que nos deixa espreitar o universo das Gueixas.

Embora seja obviamente um local onde passear à vontade, nota-se que ainda existem algum restaurantes e bares a oferecer este serviço. Além disso, têm imensas lojas “normais” de doces e várias iguarias que não encontrarão noutro lugar.
À noite, ao entregar o carro ainda demos uma volta a pé na zona mais cosmopolita. Partimos da estação de comboio, que por si só é bastante gira, e com uma iluminação toda tunning à noite.

Dia 6

Levantámo-nos cedo para ver o Omicho Fish Market.

São sempre bons locais para testemunhar os locais no seu mais genuíno reboliço diário. Por outro lado, quando essa rotina inclui comer peixe e refeições quentes logo às 7am, acabamos por sentir algum desconforto. Não é um mercado que abra de madrugada, portanto podem visita-lo em horário normal. Ah, e vimos os temerosos peixes Fugu!! Seguimos para o Castelo de Kanazawa, com uma envolvente verdejante bem bonita. O castelo acaba por estar inserido num parque publico o que o torna muito orgânico e apelativo para as fotos, além do facto de ser branco! Optámos por não entrar no castelo, mas fomos visitar o vizinho Jardim Kenroku-en; um dos top 3 jardins do Japão.


A caminho do nosso próximo ponto, cruzámo-nos com Gyokusen'inmaru Park, um outro jardim, este aparentemente publico, e que quase parecia um jardim miniatura, de brincar. Tudo estava verdinho e arrumadinho! Fica a caminho da Nomura Clan Samurai Home, uma antiga casa de Samurais. Mais uma vez, é um museu real, onde visitamos o interior das casas mais típicas e autênticas do Japão.

Este dia teria de ser curto, pois o carro já tinha sido entregue e dependíamos dos comboios. E como estes são pontuais ao segundo, apontámos sapatilhas à estação, que nos levaria a Kyoto, onde já chegaríamos ao final da tarde.
Depois de fazermos check in no Shunkoin Temple (já falamos), tivemos uma atitude corajosa, que nos levaria a apanhar o comboio durante 1hr para ir a Osaka.
Sabemos que é uma cidade que vive de noite, portanto o medo de estar tudo fechado em principio, não existia. E lá fomos. Boa opção. Fomos obviamente ao centro, a Dotombori, onde estão concentradas bancas e estabelecimentos de comida, com neons, luz, cor, som, que nos transporta para um universo Las Vegas. E lá experimentámos sushi, e tataki e bolinhas de polvo e castanhas, etc. e pela primeira vez, sentimos um Japão não certinho, com malta aos berros, a beber (nisto eram mais os ocidentais), a não andarem em fila, etc. e passadas 2hr, lá regressámos, para não perder o ultimo comboio da noite…
Lembram-se do templo? Pois bem, decidimos experimentar a dormida num templo budista, atitude que se designa por Shukubo. Este era o mais comercial, e o que oferecia sessões de meditação (que também quisemos experimentar (já falamos mais à frente). Mas a experiência não é tão radical como se possa pensar… além de não haver um recolher obrigatório, temos net, agua quente, AC; só não temos televisão. E não vimos nenhum mongezinho a vaguear por lá. Mas não deixo de aconselhar esta experiência. Além disso, o próprio templo fica numa espécie de condomínio fechado gigante, de outros templos. Alguns foram comprados por particulares, outros são templos genuínos, e outros são uma mistura de ambos, como este. Todo o local é muito relaxante e agradável.

Dia 7
Acordámos cedo, para conhecer a vizinhança onde estávamos a dormir, o Myoshinji Temple Complex. E uma vez que era cedo, decidimos ir até ao Golden Pavilon, o Tempo Dourado.

 É um dos mais conhecidos e mais concorridos, por isso era bom ser o primeiro da lista. E de facto tem razões para ser visita, o templo que, pasme-se, é mesmo dourado, está isolado por cima da água, criando um cenário de fantasia e ficção. A visita é relativamente rápida pois o jardim circundante não é assim tão grande; mas vale a pena a visita.
Seguindo as instruções da senhora do templo, marcámos no mapa o Ryōan-ji Temple, conhecido pelo seu jardim Zen. Sabem aqueles jardins que se veem à venda no gato preto com um ancinho para pentear areia? É igual, só que em grande. E não sei explicar porquê, mas embora seja aparentemente só um estúpido e simples espaço com pedras e areia, é de facto tranquilo!



Importa dar uma dica sobre Kyoto; é uma cidade a conhecer de bicicleta. Por impossibilidades físicas, não nos foi possível. Mas se puderem alugar umas bicicletas (o próprio templo tinha umas por exemplo), vão ganhar tempo e poupar dinheiro nos autocarros.
Estava na altura de fugir para Adashino Nenbutsuji Temple, e portanto fugimos da rota turística. E isso implicou perder alguns autocarros e andar bastante a pé. A área circundante é uma vila catita, onde existem vários riquexós, imaculadamente limpos, a subir e a descer a artéria principal. E se querem ver jovens em boa forma, com pernas tonificadas, esta é a melhor forma. Em relação ao templo em si, tem uma imagem de marca muito distinta; 8000 estatuinhas de budas no seu centro.

Ou seja, no cemitério adjacente ao templo, em esta área central que hiptoniza, dado o padrão repetitivo destas pequenas estátuas. Além disto, também vos oferece um pequena caminho por uma floresta de bamboo (que tem incomparavelmente menos pessoas que a floresta principal) e no topo do qual existe uma fonte com os adorados budas; onde podem banhar os mesmos. Não percebemos muito bem qual a fundamento da tradição, mas as pessoas pegam numa pequena colher de pau e molham todos os budas, como se os estivessem a lavar. E um de nós tentou faze-lo, mas deixou 2 budas por limpar, o que poderia significar azar para a vida, portanto alguém rapidamente pegou na colher para dar banho aos restantes.
Apontámos agulhas para a Arashiyama Bamboo Forest,

esta sim, aquela conhecida que tem sempre gente a tirar selfies. Mas antes, a pé, passámos pela Saga Toriimoto Preserved Street, uma espécie de rua histórica, com várias lojinhas e casas tradicionais, quase se carros. É como um centro histórico das cidades portuguesas. E por aqui se encontravam uns petiscos interessantes!
Chegando ao inicio do caminho da floresta, constatámos o que já sabíamos, seria impossível fazer fotos sem malta por trás. Há um constante fluxo de gente, muitas das quais em pose estátua para as referidas selfies. E lá seguimos com o corpo da multidão, caminho abaixo, onde nos esperava mais confusão e gente, a deambular pelas lojas de recordações e de comidas. E lá apanhámos o autocarro para o regresso.
Perto do nosso templo existe um outro local que nos aconselharam a ver, pelo seu belo jardim, Taizō-in zen buddhist temple. Tinha muito pouco gente e conseguimos ter o jardim só para nós. É algo pequeno, mas sim é bonito e arrumadinho. Convém referir de novo que todas estas entradas são pagas, ainda que há volta dos 6€, tudo junto ao final do dia ainda dá um valor jeitoso…
No final do dia, ao ver uma publicidade na rua, optámos por fazer uma visita noturna, ao Nijō Castle. Um espetáculo de luzes e iluminação laser, cria um espetáculo de cor e musica, usando o castelo como tela. Embora a entrada fosse cara, o espetáculo foi bonito e deu uma perspetiva única do castelo, que não teríamos de dia.

Dia 8
Era dia de meditação!! Huuuuuuummmmmm. Como vos disse, o Shunkoin Temple oferece (por 15€) uma experiência de meditação. Ocupa-nos no total umas 2h da manha. Embora não seja nada transcendente e não vos permite conhecer o buda, é algo culturalmente diferente, que não faz mal a ninguém, e que acaba por ser uma experiencia enriquecedora. É muito abstrato e generalista, como as reuniões internas das empresas, mas voltávamos a faze-lo. Estava na hora de mais um marco, Kiyomizu-dera. Mais um templo budista, bastante grande, com uma reconhecida e ampla varanda, que permite uma vistas sobre a própria cidade.

Estava em obras de recuperação da fachada de madeira e as fotos conseguidas não são as melhores. Dentro do perímetro existem outros pequenos locais, alguns com uns rituais curiosos, que vos tira umas 2h de visita. Vale referir que é património da UNESCO. A própria rua é uma atração de lojas, pessoas, comidas, doces, etc.
Ora bem, e se tínhamos visto o templo Dourado, claro que teríamos também que ver o templo de prata Ginkaku-ji Temple. A esta fase da viagem já começamos a dizer “mais um templo?...”. Na verdade, acaba por se tornar repetitivo, como visitar todas as catedrais de Portugal… mas sabemos ao que vamos; Quioto tem milhares de Templos, e se não gostam, escolham outro destino.
A tarde ia a meio e para o nosso próximo destino, escolhemos ir a pé pelo Philosopher's Path (Tetsugaku no michi).

 É um caminho estreito, à beira de um riacho, muito tranquilo e relaxante, que liga este ultimo templo a outra zona da cidade (na verdade liga onde quiserem, pois podem desviar-se do caminho à vossa escolha).
Estávamos a ir para Gion. Para uma zona “vermelha” conhecida pela atividade das conhecidas gueixas. Hoje em dia não é tão vermelha assim, e as gueixas que se veem são maioritariamente miúdas que alugam kimonos e se desfilam por ali. Algumas das ruas conhecidas e principais, são polvilhadas com lojinhas de todas as espécies, como tem sido habitual na narrativa; Shijo-dori + Hanamikoji Street   são duas das ruas mais conhecidas e movimentadas. Estão situadas em zonas históricas no centro de Quioto e portanto o bulício é diferente do movimento do centro da metrópole. Já era de noite quando visitámos o ultimo templo do dia. Desta vez a visão tem uns pós de tempero diferente, pois à noite o templo Kodai-ji temple, fica iluminado por um jogo de cor e luz que molda a imagem e a torna única.

Dia 9

Será que íamos ver templos hoje? Íamos sim, mas não agora.
Agora iríamos ver mais um mercado, Nishiki kyoto market, muito fraquinho… se passarem por perto vão lá, senão, não se incomodem.
Agora tínhamos descoberto uma espécie de red light district, que sendo no japão, não se equipara sequer a um néon de Amesterdão… esta zona, chamada de Ponto Cho deriva o seu nome da palavra Portuguesa Ponte, testemunhando uma vez mais que nós estamos ou estivemos por todo o lado.
Era de facto um bairro dedicado à prostituição e ainda hoje mantem as casas de gueixas e maikos (as gueixas masculinas). Nós fizemos a visita de dia, e dia dia…. Não há muito para ver. Percebe-se que é à noite que ganha vida, com as suas lanternas tradicionais, arquitetura antiga, e um desfiles de bares e restaurantes super caros, à beira do rio.
De volta aos autocarros e comboios, deslocámo-nos um pouco mais longe e fomos até Nara. Na altura não fazia parte do percurso, mas como tínhamos tempo, enchemos o calendário. A imagem de marca de Nara, se forem ao google, são: exatamente! Bâmbis!!! Não sei porquê, mas existe um parque publico onde estes bichinhos andam soltos, tais como as nossas pombas nas praças. E da mesma forma, podemos comprar umas bolachas para dar de comer às criatura. Não se deixem enganar pela fofura. Se eles toparem as bolachas, vão atrás de vocês!

Após este momento delicioso com este queridos mamíferos, era hora do grande templo do dia: Tōdai-ji Temple. Para mim, um dos melhores. A sua dimensão é incrível, e o próprio interior é magnânimo, com uma enorme estátua do gordinho, no centro, e com outras obras adjacentes, também de grande dimensão. Alem do próprio espaço que era amplo, e permitia que andássemos mais libertos e sem multidões. E claro, a parte melhor; dentro do templo existe um tronco vertical, com um buraco no seu corpo, por onde, se conseguirem passar, terão sorte para a vida. Eu tinha que tentar…. Além de ser dos poucos ocidentais ali, que me valeu desde logo alguns olhares de curiosidade. Mas o que realmente me deu até uma claque a bater palmas no fim, foi o facto de pesar 80kg e medir 1.8mt; seria muito difícil passar no buraco. Mas o facto é que passei… nem eu sei como mas passei, e tive palmas no fim!
O resto do final da tarde acabámos por a passar na parte exterior arborizada a fazer people watching, e a participar em vários inquéritos escolares 😊 de meninos que por ali andavam a abordar turistas.

Dia 10
Oba oba, era O dia!o dia da mais espetacular “atração” nipónica. Aquela que aparece em todas as pesquisas. Fushimi Inari-taisha, o complexo de templo com os famosos Tori Laranjas!


Sabendo que, como referido, é um íman de turistas, decidimos levantar o corpo de madrugada, para evitar multidões. E evitámos. Ainda assim já tinha gente suficiente para estragar fotos. Gente essa que na sua maioria eram precisamente os fotógrafos… mas mesmo que não sejam adeptos desta arte, sabe sempre melhor estar naquele espaço ainda a ouvir os passarinhos a dizer bom dia, e sem ouvir o bulício do povo que ali se vai juntando.
A ideia deste complexo é tomarem o caminho dos Tori, montanha acima, e depois descerem, isto deverá tomar umas 2h dependendo da vossa preparação e necessidade de parar para tirar fotos. É um pouco confuso pois o caminho é um pouco labiríntico e não percebemos muito bem qual a sinalização a seguir, mas lá fomos. Estes Tori, que nos acompanham toda a viagem, são grandes (ou pequenos) troncos de madeira, devidamente endireitados, polidos e pintados, que são doados por particulares ou empresas, chegando às centenas ou milhares de euros cada um. Diz-se que os deuses agradecem. Pelo menos o turista agradece, porque torna o local extremamente cativante e bonito. Durante o percurso vão havendo sempre alguns minitemplos, que parecem ser também doados por alguém, e claro, as famosas raposas, guardiãs do templo; podemos ver que abocanham uma chave, que será a chave do celeiro do arroz, remetendo assim a sua influencia na área de divina proteção alimentar.
Considerando que chegámos bem cedo, podemos afirmar que andámos por ali umas 5h. almoçando também pelo perímetro, já que oferece uma fantástica (pelo menos à vista desarmada) seleção de bancas de rua!
Tendo a tarde bastante livre, acrescentámos à ultima da hora uma visita ao museu e à terra do Sake, a bebida alcoólica de arroz tradicional do japãoGekkeikan Ōkura Sake,

é uma das várias casas que oferecem visitas guiadas, e oferecem também uma garrafinha de recordação no final; convém avisar que a visita é em japonês… embora o senhor fosse extremamente simpático e prestável, ficámos sem perceber grande coisa…. A vila Fushimi Ward é um local tranquilo, tipicamente familiar, atravessado por um rio, onde circulam barcos que nos pareceram turísticos e permitem uma voltinha mais paisagística.
Ao retornar a Quioto, tentámos uma visita ao Palácio Imperial. Revelou-se uma tentativa falhada, pois era feriado… esta tentativa repetiu-se ao longo da viagem, sempre sem sucesso, pois das outras vezes fomos depois das 16h, o que se revelou fatídico, pois o palácio fecha às 16h… ou seja, não o conseguimos ver em nenhuma das aproximações.
Regressámos ao centro para um horrível jantar no KFC, e para termos uma experiência fantástica numa paragem de autocarro. Estavam lá dois velhinhos, daqueles que não devem gostar de estar reformados, sem fazer nada, e portanto estavam devidamente fardados a tomar conta dos passageiros e a direcioná-los e arrumá-los nas filas. Trabalho totalmente desnecessário, mas que permite a duas pessoas idosas, manterem-se ativos e uteis à sociedade. Numa era de google, e tecnologia, onde sabíamos perfeitamente que autocarro apanhar e qual o tempo que demorava, o senhor lá sacou da sua aplicação de tradução, para nos ir dizendo se faltava muito para a nossa carreira 😊. Foi uma vivência doce!

Dia 11
Era o dia de regresso. E também de mais uma experiencia típica do Japão, o comboio bala. Shinkansen. Ao contrário dos nossos comboios de alta velocidade, este, é mesmo rápido, e não pára em todas as estações a apeadeiros, minimizando assim o tempo de viagem para uma distancia de quase 800km, para quase 3hr. mas é caro!...
Nessa viagem, há uma zona em que se devem aproximar da janela, pois dá para ver o Monte Fuji. Isto claro, se tiverem a tremenda sorte de ele se ver e não estar coberto de nuvens. Nós conseguimos o recompensador vislumbre!
Já em Tóquio ainda havia mais templos para vermos. Zojoji Temple ficou com um check, e este diferenciava-se dos outros. Além de estar totalmente embebido na paisagem urbana, tinha um jardim exterior com uma série de estatuinhas alinhadas. De budas pequenos, como se fossem budas criancinhas, mas com aquele ar adulto e idóneo que ele tem. Estas estátuas são vestidas pelos seus proprietários, que as consideram protectoras dos seus ente queridos infantis.
Depois decidimos entrar na malha urbana a sério, mas já afastada do centro. Aqui nota-se que é a área dos colarinhos brancos e escritórios poderosos. E soubemos que havia um centro comercial que tem uma vista grátis sobre a cidade. Claro que tínhamos que aproveitar. É o Caretta Shiodome.

Não é muito fácil de encontrar, mas o gps ajuda sempre. Lá tentámos subir e de facto, num andar cimeiro, onde havia meia dúzia de pessoas, e nenhum turista, lá estava um átrio envidraçado, que permitia uma vista espetacular, alem de oferecer uma viagem de elevador de alta velocidade também envidraçado, que só por si é uma experiencia.
Uma vez que nos primeiros dias Shibuya estava fraquinha, e a chover, lá tentámos mais uma vez uma visita à mítica passadeira. E a um outro ponto que nos tinha escapado da primeira vez: a estátua do fiel cão Hachikō, que deu origem a um famoso filme. 

E depois de uma rápida espera na fila, lá tirámos uma foto com o canino.
Nesta zona, como já dissemos há muito néon cor comida bebida. E destas ultima há uma que se destacava; um grande copo, com cores vibrantes, e com bolas escuras  que se acumulavam no fundo. Viemos a saber que são bolas de tapioca, e parecia ser a ultima moda em bebidas fashion…provámos finalmente um sabor que agradava, depois de uma intensa procura, e confesso que é uma ideia engraçada e saborosa. As bolas em si não sabem a nada, mas têm uma textura de chuingam atrativa.
De noite, maximizando o ultimo dia da viagem, dirigimo-nos à baía, onde está a estatua da liberdade japonesa, Odaiba,  enquadrada com a Rainbown Bridge , tudo isto junto da zona comercial Aqua City Odaiba, que parecia ter várias atrações, entre cinemas, arcades, centros comerciais, etc. uma zona aparentemente recente, com um ambiente familiar e convidativo.
Mas ainda há mais! Faltava mais uma experiencia que TÊM que ter no Japão; dormir num hotel cápsula. Para alguns participantes a experiencia trazia alguma ansiedade, mas como se veio a comprovar, é totalmente confortável. Não é nenhum caixão, e dorme-se bem. De qualquer forma levem uns tampões pelo sim pelo não, caso apanhem alguém a ressonar alto.

E é isto, mais uma viagem, que teve alguns contratempos, mas que sei duvida vale a pena. Não tanto pelas paisagens ou construções próprias do país, mas decididamente pela cultura desta malta, que sabe ser extremamente e loucamente civilizada!