sexta-feira, 26 de março de 2010

Baixo Guadiana

Em pleno clima agreste e imprevisto, fizemo-nos à estrada numa 5ª a 18 de Março,
        com regresso previsto a 21 do mesmo mês. Pasme-se, num mês de chuva e frio andamos de t-shirt e a usar protector solar. O destino: Baixo Guadiana. Antes do check in num hotel em Guerreiros do Rio, paragem em Mértola, a cidade museu.
Um castelo, que estava fechado à hora da chegada, uma construção com ares da arábia, um restaurante com um clima muito apelativo que se a memoria não me atraiçoa se chama Alsafir, e uma calma e tranquilidade que nos deixa num estado zen. Estado zen que se quebrou quando ao entrar no carro denoto um barulho estranho vindo da direcção. Uma ponteira com folga. Razão do problema: o Pulo do Lobo…. Não, estou a brincar. É verdade que o acesso para este local tão único é um pouco acidentado, mas não foi o causador de tal avaria :-) O Pulo do Lobo é um…sítio…. Inserido numa herdade com o mesmo nome. É um estreitamento do Guadiana, que permitia a passagem para a outra margem, com um pulo. Pulo esse que poderia ser de um animal de porte médio, como por exemplo…um lobo! Na altura que visitámos, devido à forte pluviosidade da época, apostaria um jantar no Ti Afonso (restaurante que viria a revelar-se um dos pontos altos da viagem) em que nem um lobo, nem qualquer outro animal, desprovido de asas, transporia.

O acesso pode ser de carro, mas aconselho deixar o mesmo fora da herdade e caminhar 1km até ao dito local, aproveitando para ver as cangas (galinhas selvagens). Esta afirmação encerra uma teimosia entre aquilo que eu considero ser uma galinha selvagem e aquilo que um local denominou de perdiz. Ao ser uma perdiz, serão as maiores que eu vi! Também se encontram muitas lebres e se tiver sorte consegue ver uma cauda de uma raposa. No fim da viagem agradeci à sorte não me ter traçado um destino assassino de matar algum animal na estrada, dada a elevada quantidade dos mesmos.

        Depois de Mértola, e já a anoitecer, tomámos a (acertada) decisão de passar em Alcoutim. Outra vila com uma calma que chega a originar conversas acerca da razão para não se ver ninguém nas ruas. A foto que se vê do aglomerado de casas é de Sanlucar de Guadiana.

Uma vista incrível de facto, com esplanadas a apoiar a mesma.
        Hora de jantar: vários eram os restaurantes, mas a opção recaiu, um pouco aleatoriamente sobre o Ti Afonso, situado na praça principal. Considero que devo perder um parágrafo a falar neste restaurante. Tem um aspecto cuidado, tradicional, pequeno, limpo. Atende-nos um homem com voz de rádio e extremamente profissional. Vários eram os pratos, e como o tempo é de crise (frase usada para justificar tudo), começamos a procurar o prato mais barato. Acabamos por escolher as costeletas de porco preto. Melhor decisão que tomei… Com um sabor e tempero único, uma tenreza (desculpem, não conheço um sinonimo…) incrível e bem servido, foram as melhores costeletas que algumas vez comi. 2 pax, com uma sobremesa e entradas, 20€. O profissionalismo e agradabilidade do senhor incitou-nos a deixar gorjeta.
        E agora sim, o merecido descanso. O hotel. Recebe-nos um senhor muito cómico, um personagem, que nos leva até ao quarto. Um quarto espaçoso com cama king size, vista sobre o rio. Um percalço aconteceu com a água quente nessa mesma noite, mas foi prontamente resolvido.
Dia 19 Março, dia do pai.
        O destino era visitar duas quedas de água, a Queda do Vigário e o Pego do Inferno, mas já lá vamos. Antes, parámos em Castro Marim.

Não tão sossegada, mas igualmente simpática. Fomos ao ex libris, o castelo, com uma vista sobre um forte do qual não conhecemos a história e que estava fechado e sobre uma capela e um moinho com uma pintura fresca e patusca. Seguimos então para Vila Real de Sto. António, por onde passamos de carro sem grandes detenções. Parámos em Monte Gordo. Uma localização onde nos sentimos estrangeiros, dada a quantidade de turistas típica do Algarve. Passeámos um pouco pela praia, onde um sol alegre nos acompanhava.

Agora sim, rumo ao Pego do Inferno. Com uma sinalização correcta, foi fácil encontrar. O sol nunca nos abandonou.

Passados 80kms chegámos à Queda do Vigário.

O melhor é estacionar o carro junto ao cemitério e seguir pelo trilho a descer. Vamos ter a um espaço verde que convida a picnics, com o barulho e frescura de uma grande cascata de fundo.
        Com um tempo mais manhoso, pausámos num local interessante, Fontes de Alte. Os simpáticos patos e a ribeira que por lá passa tornam o local acolhedor.

        Sem grandes demoras demos uma olhadela na praia de Faro, comemos uma vitamina, e seguimos para Tavira para jantar. Ainda era cedo e resolvemos visitar o centro comercial de lá, para matar saudades da urbe. E vimos o filme do ano (na minha opinião) O Livro de Eli. Claro que, aquela hora, fim de tarde, dia de semana, estávamos sozinhos na sala. Ao sair do cinema entramos num mundo diferente, em que o centro comercial ganhou vida e estava cheio de pessoal. Comemos no frango da guia.10€, 2 pax.

PS.: se contarem meter gasóleo as 22:30, porque o carro está na reserva e têm medo de não chegar ao hotel, preparem-se para um pequena deslocação ao país vizinho, onde encontram as únicas bombas abertas.

Dia 20 Março        Hoje o pequeno almoço era mais elaborado, talvez por ser fim de semana.
O dia é dedicado às caminhadas. Iniciando o PR4 “Odeleite de perto e de longe”. Com alguns desvios intencionais, e outros não, fizemos o percurso que revelou não ser muito emotivo, à excepção de um troço em que os cães tornaram tudo mais interessante. De tarde caminhamos, já com algum cansaço para o PR3 “Os encantos de Alcoutim”. Um percurso maioritariamente urbano. Ou seja, era um traçado que permitia ver a vila e todos os seus pontos de interesse. Por 5€ 2 pax visitámos o castelo e alguns museus. Alcoutim tem também uma praia fluvial que lhe complementa o clima turístico que possui.

Ainda era cedo e um banho era requerido. Regressámos ao hotel e desfrutámos a vista superior do mesmo, sobre o Guadiana, ao ler um pouco.
O tempo passou e o jantar era imprescindível. A escolha era natural, o Ti Afonso. A dificuldade prendia-se com a escolha da ementa. Experimentávamos novamente as boas e já conhecidas costelas ou procurávamos um novo prato para elogiar? Eu fiquei pelo bom e conhecido, a outra caminhante, mais aventureira optou pelas espetadas, e congratulou-se pela escolha. O preço seria o mesmo.

Um feliz contemplado com um desvio da roda do carro…

Dia 21 Março
O triste dia da partida.

Mais um castelo, mais uma paragem, em Portela.





Outra paragem, Évora.
As habituais visitas à curiosa capela dos ossos, monumento de Diana, etc. Em fim de viagem as nuvens já ameaçavam. Mas deu para almoçar em esplanada, seguindo depois para o fim definitivo da viagem; sobre chuva.


Gastos totais: cerca de 300€, 2 pax. A partir de Aveiro, em carro a gasóleo.

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