quarta-feira, 10 de maio de 2017

Itália (Milão, Florença, Bolonha Pádua e Veneza)

O arranque oficial das férias deste ano aconteceu também no arranque do mês de maio. Que, como se percebe, é uma altura bastante indicada para visitar Itália. Porque embora não seja Verão, as hipóteses de apanharmos bom tempo é elevada, e mesmo que chova, espera-se que não seja muito tempo. E o principal de tudo: conseguimos estar em filas com menos de 3h de espera.

Constatámos o que já outrora tínhamos experienciado: o povo italiano não é do mais simpático que há, as pizzas e pasta é mesmo algo que eles sabem fazer bem (e que nós insistimos em modificar e alterar), merecem o meu aplauso para a forma como tratam dos seus cães e como os mesmos podem entrar em dezenas de locais que aqui seriam impensáveis

Fizemos um pequeno road trip de 900km por Milão, Florença, Bolonha, Pádua e Veneza.

Sendo só uma viagem de uma semana, percebe-se que não fugimos muito do roteiro turístico, fazendo o check nos sítios do costume.

Dia 1: Milão
Dia da chegada, dia de cansaço e de viagem. Ainda assim, o dia era nosso e não perdemos tempo em ir até à praça da Catedral. Uma Piazza del Duomo onde há imensa gente e coisas a acontecer. A sombrear a mesma temos a Catedral. Bonita por fora, e com enormes vitrais por dentro. Fator interessante: ao chegar à praça havia uma enorme fila de pessoas; o que fazemos quando vemos uma fila num local turístico? Colocamo-nos na mesma pois seria com certeza algo digno de se ver. Percebemos depois que a fila era para visitar a Catedral, mas que era preciso bilhete. Vamos então comprar o bilhete, noutro local, deixando os dois acompanhantes de viagem a guardar o lugar. Na bilheteira havia também fila… Fila essa que desaguava num espaço confuso onde tirávamos uma senha, que nos permitia esperar em nova fila pelo nosso número. Não contentes com a situação, achámos por bem optar por uma outra (acertaram)… fila! Desta feita para adquirir bilhetes na máquina automática. Voltámos a grande velocidade para a fila inicial, já com bilhetes na mão, onde percebemos que tendo esses bilhetes desde início, não precisávamos de estar na… fila. Resumindo: comprem antes os bilhetes online se puderem.
Lá fomos ver a Catedral… não percam a visita ao topo, que é fantástica (para quem não gosta de 400 degraus se calhar não vale a pena ir…) com vistas imperdíveis.


Numa rua perpendicular à praça, há um corredor coberto, cheio de lojas de marca, restaurantes e bares chamada Galeria Vittorio Emanuele II.
Nessa mesma zona está um museu dedicado a Da Vinci. Por 12€ fiquei entusiasmado com tal atração, sendo eu das engenharias, atraía-me mexer nas supostas maquinetas, perceber como mexiam, etc. No entanto, por 12€ tínhamos maquetes, muito texto para ver, alguns painéis com vista 3D e a história das máquinas e era isto. Apraz-me dizer que o meu entusiasmo não era despropositado, pois tinha lido anteriormente algo sobre o museu num qualquer guia. Concluí, após visualizar uma publicidade num autocarro, que são dois museus distintos… Não sei se o outro seria melhor, mas este não valia certamente os 12€. O que vocês vão querer ver é o Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci.

O dia ia longo e ainda tínhamos umas viagens de metro para fazer.

Dia 2: Milão
Reservámos este dia, chuvoso, para visitar o Castelo de Sforzesco que ironicamente estava fechado. O exterior e a praça central são, no entanto, possíveis de visitar. Não é um castelo como os nossos, com aquele ar medieval e pesado. Este parece mais moderno, mais “in”. Atrás do mesmo existe um grande parque, onde podemos ver ao fundo, aquilo que se assemelha ao arco do triunfo, não o sendo…



Outra coisa gira de se ver nas férias, são cemitérios. Se pensarem bem, o cemitério encerra um conjunto de curiosidades tais como arquitetura, pessoas locais, hábitos e tradições, etc. Além de ser um sítio pacífico e florido para passear. Assim foi, o Monumental Cemitery é um destes sítios. Seria suposto estar aqui sepultado o grande Pavarotti. Após chamar pelo homem em vão, o porteiro disse, em italiano, o que me pareceu: “isso agora foi mudado para Modena”. Não estava o grande tenor, mas havia outros ilustres desconhecidos, com sepulturas incríveis, e com uma arquitetura geral do edifício digna de uma visita por si só.

Queríamos ir ver a Última Ceia, o quadro que após tumultuosas reviravoltas, está na Igreja Marie delle Grazie. Mas descobrimos, quais turistas de fim de semana e distraídos, que as visitas são feitas por marcação, e as mesmas já estavam esgotadas para lá da visita do Papa a Fátima. Sentimo-nos frustrados, pois é um erro de principiante, denotando falta de trabalho de casa, mas enfim… era só um quadro.

Acabámos o dia na zona nova, de edifícios de escritórios; que sinceramente não vale a visita. Ainda por cima, tivemos a pior refeição da viagem neste local


Dia 3: Florença
A cidade que mais prometia; a cidade do Dan Brown e do seu mítico livro “Inferno”.
Prometeu e cumpriu. Foi, juntamente com Veneza, o destino topo.

Florença tem imensos monumentos para visitar, muitos dos quais religiosos, mas dada a limitação de tempo, optámos por ficar pelo Palazzo Vechio, onde, há uma tour chamada Segredos do Inferno (baseado no livro de Dan Brown) que recomendamos vivamente a fazer. Mesmo para quem não leu o livro, a visita leva-nos por sítios “secretos” e durante hora e meia envolve-nos com uma história que embora com uma ligação ficcional ao livro, tem quase sempre a base real.


Ao contrário do Palácio, que exteriormente é algo feiote, a Catedral de Santa Maria del Fiore é de uma espetacularidade singular. As linhas, cores e arquitetura é única; no entanto, a parte interior… deixa um pouco a desejar.
A compra dos bilhetes é um pouco confusa, mas a ideia é que comprem um bilhete geral que dá para visitar a Catedral, a Torre do relógio, a Cúpula e o Batistério. No entanto, embora o bilhete geral possa ser usado sem marcação, a cúpula da Duomo tem que ser feita numa hora específica, a qual têm que reservar à parte numa maquineta que está no mesmo local da compra dos bilhetes? Certo?... Por esta razão, e porque as vagas para a visita da cúpula estavam já bastante preenchidas, acabámos por não subir. Mas fomos à torre do relógio, que tem umas vistas incríveis sobre a cidade.




De resto, vale a pena andar pelas ruas, sempre cheias de gente e de gelados, passando obviamente pela Ponte Vechio, não esquecendo de fazer o mesmo percurso à noite, quando tudo ganha um cenário especial.




Dia 4: Florença
Há uma zona alta na cidade, que permite uma vista de longe sobre toda a cidade, é a Piazza Michael Angelo. Creio que há transportes públicos para o local, mas como tínhamos carro, o acesso foi muito fácil. Nesse mesmo monte há outras igrejas e capelas que podem visitar e rentabilizar o vosso tempo.

Onde perdemos mais tempo, sem que o voltássemos a fazer, foi a visita ao Palácio Pitti, onde existem os Jardins de Boboli e de Bardini. Tirando uma vista ou outra, creio que não é algo que valha a pena visitar, a menos que tenham tempo de sobra. Além disso, o acesso era muito limitado a automóveis, pelo que se forem com malta mais idosa ou só preguiçosa, se torna um pouco desmotivante. Aliás, de uma forma geral, andar de carro em Florença é proibitivo; o trânsito e estacionamento pagos são bons dissuasores




Dia 5: Bolonha
Usámos esta cidade apenas por uma razão: comer massa à bolonhesa! Estou a brincar, a cidade ficava a meio caminho da próxima paragem, e podíamos descansar aí nessa noite. A zona central da cidade é bem antiga, quase medieval, com muitos estudantes, com uma torre torta (parece que os italianos têm alguma predileção por torres tortas) e com a tal massa, que vai-se a ver e é igual ao que comemos aqui.

Dia 6: Pádua e Veneza
Rumo a Veneza, decidimos parar em Pádua, já que é uma espécie de Fátima lá do sítio, com muita excursão de malta crente, desejosas por irem ver a língua do St Antonio (real), e passar a mão no túmulo do homem… A Basílica do mesmo senhor é digna de uma visita; o interior é bastante diferente do que costumamos ver. A entrada é gratuita.



Fazendo aqui um rewind, antes de Pádua há uma terra chamada Modena, famosa por essas belas máquinas vermelhas da família Ferrari. Há um museu da marca com os vários modelos e história da cavalaria, e é também a terra desse grande senhor de nome Pavarotti! A casa onde ele viveu até à sua morte está num espaço verde, numa aldeolazinha, difícil de encontrar. Depois de muita luta lá encontrámos a casa, chegámos a entrar na receção, e, numa manobra que se revelou a mais estúpida da viagem, fomos embora pensando que os 8€ de entrada não valiam a pena… Se o tripadvisor estiver correto, foi uma grande burrice… tal como foi burrice não visitarmos o museu da Ferrari. Enfim…

Em Veneza a chegada foi tardia. O alojamento foi em Mestre, a 20km. Onde podem apanhar autocarro ou comboio para o centro de Veneza. É a opção mais económica e racional. Ainda deu tempo então de ir jantar a Veneza e ter o primeiro impacto da cidade que tantas vezes vimos em revistas, flyers, etc. É um local idílico e quem diz que não tem muito para ver, é o tipo de turista que só quer fiesta, e lista com check box de vários monumentos, parques, atrações, e outros. Veneza é um local para nos perdermos pelas ruas, sem objetivos, sem planos, sem bússola.





Dia 7: Veneza
Contrariando o que disse acima, claro que Veneza, como qualquer local, tem visitas obrigatórias. A Basílica de São Marcos, o Palácio Ducal, a Biblioteca Marciana, Museu Correr e Museu Arqueológico. Existe um bilhete geral para os museus, que a nosso ver não valem a pena, a menos que gostem de estátuas, pinturas, potes e porcelana e tapeçaria dos reis. A biblioteca é uma fantochada, apenas visitamos a sala onde era a biblioteca, curiosamente nem um livro vimos; a ideia era ver algo saído do Harry Potter com milhentos livros poeirentos empilhados em prateleiras enormes….


Isto são os vistos postais, mas há mais. Há duas ilhas que podem ser acedidas de Vaporetto (os autocarros da água); Murano, uma ilha que tem uma forte produção artesanal de objetos de vidro. A ilha em si não merece uma visita dedicada a menos que queiram de facto comprar alguma destas maravilhosas criações vidreiras. Tem também um museu do vidro, que não visitámos. Depois há uma outra ilha, Burano, essa sim, uma espécie de Veneza pequenina, com imensas cores, casas rosa, amarelas, laranjas, etc. e com muito menos turistas!




Comprem o passe geral diário de 20€ pois podem andar em todos os transportes incluindo os vapporetos que vos levam entre todas estas ilhas. Claro que este passe deixa de fora as famosas gondolas. Estas podem ser usadas a 80/100€ e por essa razão os tipos lá sentados são muitas vezes loiros, grandes e de nariz rosado; ou baixos, morenos, de olhos em bico…



Dia 8: Veneza
Mais um dia pelas ruas mágicas deste local. Se quisermos caminhar, podemos afastar-nos um pouco da rota turística e ir até ao menos movimentado Jewish Quarter ou a área residencial. Não são muito diferentes do resto da cidade, mas são certamente mais calmas. Veneza não é assim tão cara como pensávamos e consegue-se comer e enfeirar ao mesmo preço que encontrámos nos outros locais.



Itália está bem explorada, mas não significa que não voltemos. Por agora, vamos organizar a próxima, que será um pouco mais fria e chuvosa :)

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