segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Varadero e Havana (Cuba)

Olá caríssimos leitores. Esta viagem de 1 semana vai ser rápida de ler. Isto porque adotámos o estilo de viagem que menos se identifica connosco, mas que sabe sempre bem. É como a malta que diz que não ouve música pimba, mas conhece as letras dos 3 maiores hits de Tony Carreira.

Sendo inverno em Portugal, decidimos causar o maior sentimento de inveja possível, procurando sítios onde pudéssemos ter fotografias com sol, em bikini, e com um mar azul como cenário. Mas não poderiam ser umas férias 100% mainstream, presos num resort, limitados a saídas pontuais com excursões de hordas de turistas de camara em punho. Por essa razão optámos por Cuba. Um sítio conhecido há já uns anos, mas que não é (ainda) tão explorado como Punta Cana, Riviera e R. Dominicana. Isto significa que os hotéis são mais antigos, menos cuidados, que não há Coca Cola nem rede WiFi, mas que por outro lado não há tanta bandalheira e confusão.

Cuba é como se sabe uma ilha que ainda gatinha, está a abrir-se ao exterior de uma forma progressiva e muito recente, embora o turismo já se desenvolva desde finais de 90. Curiosamente chegámos na semana de luto pela morte do seu eterno comandante. Se pensarmos bem é como se tivéssemos decidido ir quando o representante máximo do comunismo daquele país desapareceu fisicamente; como se de um abrir de portas se tratasse. Foi claro coincidência, que apenas interferiu na animação (ou falta dela) do hotel, até acabar o período de luto.

Varadero é um braço de terra, massivamente turístico, onde aquilo que se vê são autocarros de excursões e hotéis alinhados junto ao mar. Existe uma cidade “normal” com industria e malta que vai para o trabalho todos os dias, mas isso é sombreado por completo pelo ambiente turístico. Numa corrida de 90min ao longo da autoestrada que atravessa toda a península, conseguimos contar dezenas de hotéis, todos eles semelhantes entre si. Não fomos visitar o centro de Varadero pelo que não nos podemos pronunciar, mas não nos pareceu algo que valesse a troca por mar límpido e praia quente.

Por falar em mar, não estava quente como se esperava. Talvez porque não estudámos esta parte no trabalho de casa, e porque ali, tal como aqui, era inverno… Não choveu enquanto la estivemos, o sol brilhou sempre, e nunca vestimos mais que t-shirts. O snorkeling é possível, mas implica o pagamento de uma viagem a 2km da costa para conseguirmos ver os peixinhos. Mais perto que isso da praia, o fundo é liso e não há muita vida marinha. Não conheço os outros destinos caribenhos, mas creio que haverá certamente melhores praias e melhores mares.



No entanto…!!!! nos outros países não vêm os famosos carros americanos dos 50´s, uns a caírem de podres literalmente, e outros com os cromados a refletirem a nossa imagem! Ainda há imensos, mas não nos cansamos de os ver. Espero que não os deixem desaparecer com uma eventual facilidade de importar e adquirir carros novos.


A nossa viagem terminaria no local que originou a escolha por este destino: Havana.

A capital, o sítio dos bares, da música cubana, do Buena Vista Social Club, etc. Experienciámos outro atrativo típico dos turistas de agência: um autocarro hop-on-hop-off. Uma boa forma de ver todos os pontos da cidade. Uma vez que só tínhamos um dia para visitar, acreditámos que não conseguiríamos aceder a certos pontos que não assim. Além de vaguearmos pelas ruas para absorver a música constante, as cores e a vibração de Havana, visitámos sítios específicos tais como o Grande Teatro de Havana, que valeu os 15€ do bilhete. Fomos de certa forma coagidos a visitar o museu do tabaco, que tinha como maior atrativo a própria senhora que nos fez a visita; não valia a pena só pelo espaço. 


Um lugar obrigatório de visita, embora não seja propriamente um atrativo meramente visitável, é o bar da Bodeguita del Medio. Uma notória casa de restauração, paragem de todos os turistas, com música ao vivo e mojitos de 5€. As paredes estão mascaradas por autógrafos, fotografias e outras recordações. É um espaço que fica numa rua apertada sem trânsito e que é amplamente ilustrada nas imensas canvas e quadros que os particulares vendem nas suas garagens de porta aberta. Aproveito para referir que aparentemente os cubanos têm grande queda para as artes e para a pintura, e existe uma grande iniciativa para abrir um negócio privado, já que eles dependem por completo das divisas estrangeiras para poder viver num país com duas moedas, e com um típico apoio comunista ao povo, mas que apenas cobre o básico dos básicos.

Havana é velha, mas também tem zonas novas, zonas que estão a ser recuperadas e zonas onde novos e luxuosos hotéis irão surgir. A frota automóvel é bastante antiga, mas ao contrário do que normalmente acontece nos países com esta caraterística, os cubanos guiam com calma e segurança. É obrigatório alugar um táxi, nem que seja por dois minutos; de preferência um velho Oldsmobile, bem restaurado, descapotável, para tirar a típica fotografia. Os taxistas são aliás, os únicos que mais insistentemente abordam os turistas; o resto dos vendedores são menos chatinhos. O custo do turismo é o mesmo que em Portugal, havendo os naturais esquemas para gastarmos mais.


Tendo estado apenas 1,5 dias em Havana não podemos detalhar muito mais. Não é uma cidade grande, embora tenha 2 milhões de habitantes, e qualquer guiazeco vos indica os sítios a visitar. Nós preferimos correr todas as praças e ruelas, elegendo a naturalmente mais movimentada rua Obispo, onde parece que todas as outras desaguam. A nível de praças há trêsque são simbólicas, Praça da CatedralPraça Central e Praça da Revolução.





Embora não hajam propriamente artistas de rua, há umas senhoras tradicionalmente vestidas a rigor, que vos podem ler a sina ou aparentemente fazer um voodoo qualquer. Quando o dia termina, podemos ir passear no calçadão cubano El Malecon! É preciso alguma habituação para percorrer as calles à noite pois tudo tem um aspeto inseguro, de rua de favela, com as pessoas a verem televisão de cuecas na sua sala de estar, que é também cozinha, numa casa super humilde, térrea, com a porta escancarada para a rua. É um testemunho da falta de meios e de rendimentos que muitas famílias ainda sofrem. Mas, este sentimento de insegurança desaparece com rapidez pois nota-se que as pessoas não têm qualquer atitude menos agradável par com os turistas. Acho que é o único sítio onde, numa rua de aspeto duvidoso, passa um casal visivelmente forasteiro e ninguém manda bocas parvas. São pessoas respeitosas e que creio terem noção da importância do turismo! Cordiales saludos.

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