quarta-feira, 10 de junho de 2015

Jordânia e Jerusalém (Israel)

INTRODUÇÃO
Sendo uma das grandes recompensas das viagens, o conhecimento de novas culturas, hábitos, tradições, costumes, sabem que uma introdução que dê a conhecer os mesmos é vital neste blog. O destino que se carimbou nos passaportes não é mainstream e não é user-friendly (fica sempre cool usar estes estrangeirismos…). Sem mais demoras: Jordânia e Jerusalém foram os eleitos. Obviamente não é algo tão popular como ir para o México ou para as Caraíbas, mas aqui é que está o busílis da questão! “ena pá, gandes malucos!” “ oh meus ricos filhos, tenham juízo, então vão lá para esses malucos, sujeitos a rebentar lá uma bomba?!” “oh sobrinho, não faças isso… porque não vão antes para Benidorm que a água é quentinha?...”. Isto é a perceção da família e amigos. “A Jordânia é o aluno bem comportado e ajuizado na turma de malucos do médio oriente, por isso, se queremos ir a esta região; é agora, e é para lá!”. Isto foi a nossa perceção!

Aconselho vivamente, se vos interessam estes destinos, a estudar e conhecer a história dos mesmos; mas sem me alongar cabe dizer que a Jordânia não está em Guerra… com ninguém por agora. Não tem petróleo, pelo que a coloca numa posição desinteressante no mapa geopolítico. São maioritariamente sunitas, e o EI não parece ter interesse na conquista deste país. Tem um rei que todos adoram, o que potencia uma estabilidade interna e galvaniza a população. Jerusalém (Israel), por outro lado, tem os problemas que conhecemos há anos. E a verdade é que os mesmos não vão desaparecer no entretanto (na minha opinião). Mas com um apoio da mamã América, e com uma forte capacidade e presença militar, diria que o risco é baixo para um turista

…………..As pessoas
Jordânia: são simpáticos e muito hospitaleiros, algo que parece vincular-se no geral a esta malta árabe. São, na sua génese milenar, negociadores exímios, e infelizmente para nós turistas, ainda não a perderam. Gorjetas, tentativas de incluir taxas que não estavam no menu, florear um welcome, com uma tour guiada agregada a uma gorjeta, são o tipo de coisas que frequentemente se encontrará. Se não formos firmes e astutos, gastamos mais do que pretendemos. São pessoas simples, com um nível de vida ligeiramente mais baixo que o nosso. 
Há duas características imediatas que me fazem traçar o nível de desenvolvimento e civismo de um país: o lixo no chão, e a condução. E na Jordânia o lixo nas ruas é elevado, assim como a condução é algo caótica, mas não tanto que nos impedisse de fazer 1000km num carro alugado. Têm por tanto uma linha de aprendizagem pela frente, mas estão lá… O inglês é falado por todos e não há entraves causados pela comunicação.
Jerusalém por outro lado, é um país muito mais forte que o nosso, com um PIB e outros números bonitos elevados, com tecnologia, carros, e centros industriais desenvolvidos, mas as pessoas… as pessoas… já lá vamos.

DIA 1 – AMÃ
Chegada ao aeroporto: antipáticos, mas sem problemas. Apanhem o autocarro que vos leva ao centro (12JOD (1dinar = 1.2€)). Autocarro Toyota (bom), com 30 anos (mau), conduzido rapidamente (bom), e agressivamente (mau). Paragem, táxi (primeira negociação) até ao hotel. Em todos os hotéis, a recepção é sempre boa, são simpáticos e tentam ajudar no que podem.

Saímos de manha, a pé pois claro e decidimos fazer os 7km que faltavam para o centro histórico, sob 35ºC. Que melhor forma de sentir o ambiente. Oficinas mecânicas que mais não eram que uma garagem com os carros sobe 4 tijolos e um tipo lá debaixo. Carros parados em 3ª fila, mercados e mercadinhos, um tom esverdeado e poeirento que pintava as casas e edifícios. Os primeiros avistamentos das burcas, túnicas, hajibs, etc. a habituação à presença de vários guardas, orgulhosamente armados e equipados, e!: aquele som cliché vindo de altifalantes que ecoavam a primeira reza do dia por toda a cidade… estávamos no médio oriente!!!!!!

Fomos à mesquita Abdul, onde o elemento feminino sentiu pela primeira vez, a pressão que existe no cromossoma X nestes países. À entrada, foi convidada a escolher e vestir uma túnica, para poder entrar. O espaço é espetacular e é um óptimo primeiro monumento para se visitar e sentir. Curioso que à saída, do outro lado da estrada, estava um igreja (cristã), onde também entrámos e assistimos (ela para um lado e eu para outro) à cerimónia. Esta dualidade caracteriza este povo, e ao contrário de Israel, não se sente a tensão entre “equipas” e todos parecem respeitar-se mutuamente.



Seguimos para downtown, e optámos por uma rota de bairro, onde, racionalmente não nos deveríamos meter, mas que nos proporcionaria a genuinidade que procurava: um grupo de miúdos a jogar à bola pergunta: Where are you from? What's your name? Ao qual sempre respondemos com simpatia, e que, amiúde ouvíamos “Portugal?!? AH! Cristiano Ronaldo!!!!”. Uma vénia a este rapaz: detesto futebol e toda a cultura associada; mas não há português em tempos recentes (incluindo os nosso Ministros dos NE), que transporte tão eficaz e orgulhosamente a nossa bandeira. Para quem está por fora a comer Kebab, ouvir isto, ouvir dizer que adoram e veneram este compatriota “mais macho que o Messi” enche-nos o coração. Obrigado CR7. Ok, seguinte. Os putos são engraçados e adoram meter conversa com os turistas, e, salvo alguns casos, são genuínos e querem realmente simplesmente meter conversa. Chegamos ao primeiro ponto: Citadela. Local arqueológico, com alguma da história da cidade, e com uma vista privilegiada pela mesma. Dali vislumbramos o próximo destino, o Anfiteatro romano, muitíssimo bem preservado. Foi para lá que descemos. Uns metros mais e encontramos um mercado em hora de ponta, onde comemos uns doces alperces e onde vimos e cheirámos as especiarias que os árabes tanto gostam. Caminhámos agora sem destino, até ao coração da zona histórica, onde a confusão e o comércio dão as mãos para nos passear sem objectivo. Mas o tempo passava e tínhamos que ir buscar o carro. Apanhámos um táxi (2ª negociação) e sentimos pela primeira vez o que era estar no trânsito de Amã. Sendo que estava a minutos de trocar de posição passageiro-condutor, instalou-se um nervoso/entusiasmo em mim.



Já com o carro (sem travões, pneus Federal, amortecedores 0, e caixa automática) nas mãos, subimos a Jerash (1hr norte). Um local arqueológico enorme, com seguramente várias histórias a contar. Um guia nestas situações dá jeito, mas tem um custo… A época não era alta, e o medo paira sobre este destino (creio), por essa razão por várias vezes nos dávamos conta de estar sozinhos, num total sossego. A certa altura, lá se ouve a nota introdutória: “Welcome, where are you from?”. A simpatia nos locais turísticos esconde invariavelmente uma 2ª intenção. Rapidamente estávamos a ser guiados, a conhecer a história do local, atrás de um jovem bem falante. Claro que a certo ponto notas que estás nas apresentações do Colchão ortopédico, e que aquilo vai acabar com uma compra…. Assim foi, tive que o “deslargar” de nós, não sem antes lhe passar a gorjeta. O dia estava no fim, o fresco começava a lutar com o calor e os 3L de água comprados no local a 1€/L já tinham ido, tínhamos uma viagem de 60km pela frente, já de noite, até Madaba!



DIA 2 – MADABA 
Madaba é uma cidade bastante mais bairrista que Amã. A confusão é a mesma, mas em ponto mais pequeno. O dia teria de começar cedo pois as atrações distavam cerca de 50km da cidade. Mal sabíamos que iria ser tão difícil encontrar a primeira: Wadi Mujib! É uma reserva natural, que ao longo dos anos, muitos anos, foi erodida, até formar um Canyon. Atualmente, é possível fazer um trekking por esse mesmo canyon, em que a meta nos presenteia com uma enorme e poderosa cascata! (não do nível do Niágara, mas do nível de uma cascata que é possível atravessar (protegendo devidamente as partes moles da cabeça, pois o peso da queda da agua é forte!). Foi altamente divertido, relaxante, fresco e desportista. Graças a Alá que as regras de segurança lá não são tão apertadas como aqui, pelo que não foi exigido nenhum certificado de escalada, ou obrigatoriedade de guia, etc. só tivemos que levar um colete que se revelou suficiente. Infelizmente só tenho uma foto, pois o orçamento de viajante não permitiu ainda a compra de uma caixa estanque ou de uma Go Pro, pelo que não pudemos levar a máquina. 

Hoje o dia era supostamente mais calmo, mais turístico, e por essa razão optámos por passar a tarde numa praia. A imagem de praia aqui é bastante diferente das nossas. A areia não é clarinha nem tão refinada, e o mar é… morto. Sim, a imagem de turistas com um sorriso rasgado a boiar neste mar é um cliché, mas que é impossível de contornar! A sensação é incrível. O nível de sal na água é tal que, se ficarmos mais de 15min nela o nosso nível de colesterol aumenta por osmose… se vos cair uma pinga que seja num olho, vão desejar a todos os anjinhos ter uma torneira por perto (o que naquela praia em concreto não aconteceu). Se tiverem uma ferida, ela vai arder; como nunca sentiram uma ferida arder. E por fim, por mais pesados que sejam, vão ficar super leves neste mar sem ondas e com uma densidade que chega à viscosidade! E claro; a lama, a famosa lama rica em sais e minerais que a malta espalha pelo corpo. Também o fiz, em prol da foto, não sei se retirado do sítio certo pois cheirava bastante a esgoto… resta dizer que as praias são concessionadas, existindo poucas publicas, e as que existem não têm as infraestruturas a que estamos habituados, e que aqui são extremamente necessárias (duches, guarda sois, etc). PS: aconteceu algo que me estragou a tarde: de manhã, no trail, o divertimento foi tal que rasguei os calções na costura do rabo… era premente a compra de uns novos já que eu tinha trazido uns sobresselente mas que tinha deixado no hotel). A única solução era a compra de uns novos no hotel a que pertencia a praia concessionada (Dead Sea Beach). Custaram 25€ (após regatear 5€ com o homem), e parecia um palhaço com eles vestidos, mas com o rabo tapado… O resto da tarde foi passada mais perto do hotel nas piscinas. É algo curioso ver as senhoras locais, de túnica e burka a tomar banho… saibam que a famosa Speedo fabrica, como direi, túnicas aquáticas… regras são regras.



Voltámos ao hotel para um banho mais profundo e fomos passear pela cidade. Comprámos a primeira iguaria local: Baklava (doce pra mundial, calórico e bom). 

DIA 3 – MADABA - ROAD TRIP King's Highway
Acordámos cedo como habitualmente. Havia duas igrejas em Madaba que mereciam a visita e assim fizemos. A mais conhecida e história, St George Church onde está um dos mosaicos mais antigos do mundo, com o mapa antigo de Jerusalém. A entrada é paga e o que vimos é praticamente isto mesmo. No entanto, havia uma outra igreja, que abriu apenas há dois anos ao turismo e que tem túneis, mosaicos, divisões secretas e uma torre do sino que nos abria as vistas da cidade. A igreja é cristã e chama-se John Baptist Church.


Agora sim, voltámos ao nosso mal cheiroso e desarrumado Hyundai e focámo-nos na King's Highway. É uma estrada sinuosa, longa, que faz mais kms que a sua paralela Desert Highway, mas que tem incomparavelmente mais beleza. Passa em povoações que por si só já são uma recompensa. É a chamada estrada panorâmica. Parámos várias vezes para admirar a paisagem, e para deixar arrefecer os travões… Uma das paragens mais prolongadas foi em Karak, para visitar o castelo com o mesmo nome. Ora, exemplo prático da caça à gorjeta: um homem aparentemente à paisana, saúda-nos, começa a falar do local, indica-nos o caminho e vem atrás de nós gradualmente. Quando demos conta estávamos numa tour guiada. Confesso que achei que ele pertencia mesmo ao castelo; mas foi então no fim, quando o calmo e simpático homem estende a mão, que o cérebro me diz outra vez: porra pá, já deixavas de ser estúpido. Demos-lhe 2D ao qual ele diz: “é muito pouco…”. Uma pessoa não está formatada para este tipo de cenas.



Conforme planeado, ao final da tarde estávamos a chegar a Little Petra. É como ir ver um aquário doméstico para depois se ir ao Oceanário. A analogia insinua Little Petra - Petra. Este local tem entrada gratuita (mas não se livram dos melgas dos comerciantes) e é como um aperitivo ao que se seguiria no dia seguinte. Este era um local de passagem de comerciantes da rota de seda, e podemos ver registos de desenhos gravados nas pedras, sobre esse período antigo. Vão reparar numa passagem estreita e difícil que dá para o que é apresentado como “topo do mundo”. Após subir por esta passagem qual não é o meu espanto e vejo um beduíno ali a viver, com cama, com os seus colares e pulseiras para vender e com uma vestimenta e maquilhagem que lembra o Pirata das Caraíbas. Saímos antes do anoitecer, para ir dormir ao hotel em Wadi Musa, Petra.




DIA 4 – PETRA
Era este o nosso Santo Graal. Uma das 7 maravilhas do mundo, cenário de gravação do Indiana Jones, património da humanidade. Foi o bilhete mais caro de todos 150€ e comprámos também o Petra by Night, do qual podem ver as fotos, e que é imperdível. No nosso caso ainda foi mais memorável pois houve um pedido de casamento feito ali. Adiante; Petra é um local gigantesco com inúmeras relíquias arqueológicas e kms e kms para palmilhar. Nós dedicámos dois dias neste destino. Pode ser muito ou pode ser pouco; depende do vosso interesse por arqueologia. No primeiro dia concentrámo-nos em chegar ao topo, onde está o Mosteiro. O caminho é a subir, com escadas e debaixo de muito sol (já vos disse que constantemente tínhamos que comprar água, a 1€/L). chegando lá cima, sentimo-nos uns heróis. E com essa nova força ainda subimos mais um pouco, para dois locais mais elevados, de onde temos uma vista para todo o lado (aliás o local está marcado como a melhor vista do mundo).
Mas antes sequer de poder começar este caminho tivemos que passar pelo Tesouro. E antes do Tesouro pelo Siq, que é também um canyoning muito alto. A passagem é portanto muito agradável, e à sombra. Ao desfrutarmos deste passeio inicial vamo-nos aproximando de uma fenda que nos deixa desenvolver o nosso olhar gradualmente para o Tesouro, e ao chegar ao fundo deste, a sensação é: UAU! Voltando atrás, ou acima; estamos no Mosteiro e temos que voltar para baixo. Não dão mapas muito detalhados, pelo que andámos aleatoriamente por ali. É incrível como é que um povo tão antigo tinha tanta capacidade de engenharia e conhecimentos de aproveitamento de água. Bebam muita, hidratem-se e levem umas sapatilhas robustas e confortáveis.




DIA 5 – PETRA
O dia seguinte foi semelhante ao primeiro, mas com o bónus da noite: Petra by Night. É mágico, tranquilo, pacífico e relaxante depois de um dia duríssimo de caminhada, suor, pó, sol, etc. A grande mancha negra de Petra representa precisamente aquilo que eles (quem representa este local) tenta evitar (sem grande esforço…): os locais turísticos na Jordânia, mesmo pagos, permitem que os locais por ali andem, o que consequentemente implica o comércio da quinquilharia. São miúdos pequenos a tentar vender colares, postais, etc; não lhes deem trela nem lhes tirem fotografias tipo turista de chapéu e máquina ao pescoço. Eles vão-vos exigir uma remuneração. Digam só um firme não obrigado. Há, além destes miúdos chatos, aquele que para mim é o peso emocional mais negativo deste local, é a exploração dos animais para fins turísticos. Burros, cavalos e camelos, obrigados a andar em sítios em que nem o menino Jesus passava; a beberem e comerem sabe-se lá quando, e controlados por donos que não têm o mínimo de cuidado ou carinho com estes animais; aliás, abro um parêntesis para dizer que esta indiferença para com as posições inferiores do reino animal é generalizada na Jordânia. Se querem ir a Petra saibam que vão TER que caminhar. Se pesam 120kg, se têm reumatismo, se têm uma doença mais grave ou se são apenas preguiçosos, reformulem a vossa viagem, não contribuam para a exploração destes coitados. Conseguem comer bem junto de Petra (não lá dentro) no Red Cave. Ou mais no centro da cidade, na avenida principal, num restaurante que tem uns franguinhos a assar cá fora. Ah, e conseguem comprar gelados nos minimercados por 40cts… :)




Não iríamos dormir aqui, a noite seria passada em Wadi Rum, no deserto. Meus caros, só vos digo: tivemos uma receção inesquecível. O texto vai ser longo agora mas impera contá-lo. Chegámos a uma vila, no meio do nada, onde perguntámos pelo Attallah (o nosso anfitrião). A vila era poeirenta, com casas inacabadas, com pickups por todo o lado. Havia malta aos tiros ao nosso lado, havia grupos de pickups que passavam com malta de fora das janelas a gritar. Parecia uma cena do jornal da BBC sobre terrorismo. O segredo nestes casos é: se o resto da malta está com uma cara tranquila, é porque deve estar tudo bem. Chegou um irmão do Sr., que nos levou para casa dele e nos pediu para esperarmos. Chegou finalmente Attallah, com uns olhos de quem andou a soldar e com um speed tremendo. Deixámos o carro no meio da vila (que não inspirava segurança ao Chuck Norris) e partimos, sem darmos sequer conta, com ele na sua pickup Toyota. A todo o gás pela vila, disse-nos que estava num casamento do primo e daí os tiros. Era ele que também os estava a dar! Perguntou-nos se queríamos ir ao casamento, mas a minha cara metade deu aquele sinal que só as mulheres sabem dar sem fazerem nada, e agradeci recusando gentilmente. Se tivéssemos aceitado, cada um iria para seu lado, pois os casamentos têm as mulheres separadas dos homens. Entrámos no deserto, a uma velocidade altamente para quem gosta de velocidade e serpenteámos pela areia até chegar ao acampamento. Quase saímos da carrinha em andamento, e o homem disse para estarmos à vontade, que à noite ele estaria lá para falarmos com mais calma. Não havia ninguém no acampamento (pensávamos) e tudo parecia muito confuso, como no filme do Hostel. Chegou a hora do juntar e com ele veio Attallah. Agora mais calmo, conseguimos ficar mais descansados. 

Dia 6 – WADI RUM
Uma volta de jipe para todo o dia foi o que optámos por fazer. Felizmente, houve dois camaradas franceses que decidiram o mesmo e que nos fizeram companhia durante o dia, o que se revelou muito divertido pois eles eram porreiros. Os nossos dois guias eram também muito humildes e engraçados e portanto podemos afirmar que após uma receção tipo Alfred Hitchcock este dia revelou-se o mais engraçado. Comemos como verdadeiros beduínos no meio do deserto; boa comida e boa companhia. Empurrámos jipes, o capot saltou fora, atolámos um pneu, ficámos sem bateria, tudo com grandes gargalhadas e risota.Nessa noite o acampamento ficou instantaneamente cheio de malta jovem. Por essa razão o jantar à volta da fogueira, com música e chá a finalizar, foi uma experiencia também única e divertida. Os tipos do acampamento engraçaram connosco e com os franceses e estávamos sempre na “cowboiada”. O chá era bebível (detestamos chá e demos por nós a pedir para repetir) e prova que é possível haver diversão sem álcool. O jantar em si foi também um regalo; uma simples galinha cozinhada debaixo da terra (Zarb) com arroz branco (sem especiarias) e batata cozida. O meu estômago pulava de alegria, e alguns gases dado a diferença de alimentação face aos últimos dias. Se quiserem viver esta experiência aqui fica a sugestão:  www.bedouinlifestyle.com (+962 7 7913 1803, Mr Attallah).





DIA 7 – PASSAGEM JORDÂNIA ISRAEL
Zarpámos às 5am para 400km até Amã. Entregar o carro e ir até à fronteira. Apanhámos um táxi com um homem que era incrivelmente simpático, prestável, honesto e que falava bem inglês. Seu nome Yadi e seu telm (+962 79830 7102). Usem-no se precisarem. Um taxista em quem possam confiar é um ás de trunfo em qualquer país. Chegámos à fronteira (tenham cuidado em que dia fazem a travessia e os horários da mesma. Lembrem-se que o fim de semana deles é sexta e sábado, e o Sabat (sábado) é dia sagrado para os judeus). Nós fomos num sábado…

A passagem da fronteira é uma L-O-U-C-U-R-A!!! É a cena mais à parte que encontrei em viagens! É revoltante, confuso, estúpido, desorganizado, engraçado, único, stressante, emotivo, etc, etc. Não há filas; há uma multidão que se vai empurrando como um bando de galinhas a tentar entrar no capoeiro. Há malta a pagar aos funcionários para os deixarem passar mais depressa. Os carrinhos tipo aeroporto não são arrumados, deixam-nos ficar espalhados, criando mais confusão. O nível de desorganização ou falta de massa cinzenta dos funcionários não se esperava de um país desenvolvido. As meninas por trás dos balcões de atendimento devem ser escolhidas com ênfase na sua antipatia, maquilhagem e arrogância. É tipo a miss Israel do mau atendimento… há 534 checkpoints que controlam não sei bem o quê. Felizmente que a senhora do visto foi com a nossa cara (eu tinha feito a barba no dia anterior) e não nos mandou para interrogatório (o que reduziu todo o processo para apenas 4hr). Percebem portanto que 2 dias das férias foram para o galheiro, apenas para este processo de transição. As malas são tratadas como se tivessem a fazer um crash test, a ver quais aguentam mais. Quando tudo acaba e entramos no shuttle para o centro pensamos; “uau, isto foi fixe, que loucura”, mas só nesta fase… Resumo, entrámos e saímos de vários autocarros, passámos na terra de ninguém e parámos em paletes de checkpoints. Deixem-se ir atrás da multidão e tentem ver onde andam os outros turistas, sejam brutos, astutos, Chico espertos (acho que nisto os tugas safam-se) e mantenham-se calmos.

Jerusalém. Ainda chegámos de tarde e por isso conseguimos ainda dar um salto ao centro numa espécie de ronda de reconhecimento. Israel é caro, não me sinto tão seguro como na Jordânia embora o policiamento seja constante e o clima é mais parecido com o nosso. Há um restaurante perto do hotel onde ficámos, mas longe do centro, onde podem (pagando razoavelmente bem) comer muito bem, Azkadenia. Vamos dormir que a travessia matou-nos.



Dia 8 – JERUSALÉM

Esta parte da viagem foi feita um pouco às cegas, não tínhamos grande preparação. Metemo-nos na Old City e fizemos figas. Andámos por lá, e desta forma conseguimos encontrar o que queríamos. Este é um destino em que convém sabermos o mínimo da história, caso contrário é o mesmo que começar a ver o Lost no 15º episódio. Aconselho vivamente fazerem os Túneis da Western Wall. Têm um guia que explica resumidamente a história e que ajuda a compreender o resto da viagem. Já o disse e repito, Jerusalém não é amiga dos turistas, percebe-se que ao ser um local sagrado seja difícil aturar máquinas a disparar, olhares curiosos lançados aos senhores de roupas esquisitas, troupes de excursões barulhentas. Mas ainda assim, deviam ter outra atitude, afinal aquele local deve muito ao turismo. Isto para dizer que com isto em mente, existe uma dicotomia em relação ao preços pedidos para as entradas. As que são pagas, têm um preço aceitável, e as restantes nem sequer pagas são. Como exemplo: Western Wall, ou o célebre Muro das Lamentações não é pago. É o local fulcral de todo o espaço. Podem ir até à parede fazerem o que entenderem, mas tenham respeito e consciência do local. A tentação de fotografar os judeus mais ortodoxos é muita, mas eles não gostam evidentemente. Há tentos costumes, tiques, e atitudes que gostávamos de perceber de onde vêm, mas não tínhamos a quem perguntar, existe um ponto de turismo, mas que é apenas um ponto de distribuição de mapas, e pouco mais, dependendo da simpatia de quem atende. Podem ir também à borla dentro do espaço do Templo do Monte onde está a imagem de marca a Cúpula Dourada e a Al-Aqsa Mosque, espaço sagrado para muçulmanos. Aqui existe tensão e esta é manifestada sempre que existe uma presença partilhada entre judeus e muçulmanos. A entrada é controlada pelos militares e portanto dificilmente acontece alguma coisa mais grave. Não podem entrar dentro das mesquitas e não andem lá aos beijinhos ou amassos, serão repreendidos. Tapem os ombros, pernas, decotes, e não se armem em espertos, os costumes e regras são deles, e devemos respeitar isso. Passando para o lado cristão temos a igreja do Santo Sepulcro, uma igreja única, com vários espaços lá dentro, e que supostamente é onde Jesus morreu, ou foi enterrado, ou lá o que é.




Não vale a pena perder muito tempo a ler a informação das placas (vale vale…) pois só vão ficar mais confusos. Todas as religiões contam as coisas à sua maneira, pelo que apenas a crença cega e algo ingénua permite sentir e olhar o local com a importância que a nossa mente acha que tem. Da minha parte, tudo aquilo é tão racional como eu colocar uma pedra no meu quintal e arranjar um guião que explicasse minimamente que foi ali que Michael Jackson me apareceu um dia à noite a cantar Billie Jean, permitindo-me assim colocá-la numa redoma de vidro e esperar que os fãs acorressem ao local para a venerar. Percebem que não somos muito crentes, mas respeitamos completamente todas as religiões e tradições, não gozamos nem fazemos piadas, mas tenho que admitir que tudo aquilo está assente em nuvens brancas, que tomam a forma daquilo que cada um quer ver. Mas é mesmo isto que dá a mística ao local, e é por isso que a tensão irá continuar a existir, a menos claro que se encontre a Arca Perdida… :) (vão ler sobre isso).

Há mais uma série de igrejas, mesquitas, sinagogas, espalhadas pelos bairros (arménios, judeu, muçulmano e cristão) que são geralmente abertas ao público. Estas são as mais importantes a par da Sinagoga de Hurva, o simples vaguear nos bairros já por si é uma atracção turística. E se forem de enfeirar, encontram de tudo por ali. 
Gostaria de dizer que o bairro judeu é notoriamente o mais diferente (assim como eles próprios), é limpinho, organizado, sem confusão e algazarra, sem lojinhas de lataria, e, não sei porque, menos concorrido pelos turistas.



Dia 9 – JERUSALÉM
Já estávamos mais confortáveis nesta cidade. Ainda éramos turistas, mas sabíamos como lidar melhor com o meio. Começámos sem querer o dia a percorrer a Via Dolorosa, creio que será também a Via Sacra. Foi alegadamente aqui que Jesus fez o seu último e derradeiro percurso. É quase como uma caça ao tesouro tentar encontrar as várias estações; onde ele caiu, onde lhe cuspiram, onde lhe limparam o suor, onde lhe deram um Isostar, etc. estas estações estão assinaladas e acabam no Santo Sepulcro. O nosso destino era no entato, City of David e os seus wet túneis! Tínhamos lá estado no dia anterior; acontece que saímos do hotel com a maquina às costas, mas alguém se tinha esquecido de a carregar… Mas somos tão dedicados a vós leitores, que voltámos no dia seguinte, pagámos novo bilhete, só para fazer umas fotos (sendo um túnel, a escuridão é total e portanto o valor das fotos não vale o preço de 1/5 de bilhete…

Como eu tinha dito, há muito monumento religioso para visitar, mas que não exige nenhuma referência em especial. Vivam o espaço, observem as pessoas os costumes, tentem perceber a ideologia de cada um, perguntem a vocês mesmos porque raio se vêem dezenas de miúdos do liceu, fardados militarmente, com armas ao ombro, como se fossem simples mochilas; o que significa a tira que os judeus usam no braço, e na cabeça e porque têm em média 4 filhos cada um? Porque é que as mulheres deles têm um ar tão… insosso? Porque é que há muçulmanas tapadas até aos olhos e outras nem por isso? Porque é que há 4 polícias no check e nenhum está a olhar para o tapete?, etc.
O dia terminou com um espetáculo noturno junto à Torre de David, um momento de luz e som que, em 45 minutos, resumem a história de Jerusalém.



Dia 10 - A TRAVESSIA!!!!
Como somos viajantes experientes (not), arranjámos forma de apanhar o mesmo motorista(not, foi só sorte) que no primeiro dia nos deixou à porta do hotel a troco de uma gorjeta. Supostamente já não haveria shuttle, mas a falta de pontualidade deles funcionou a nosso favor e conseguimos poupar umas dezenas apanhando então o shuttle de regresso; sempre com o Ronaldo como arranca sorrisos, ainda o convencemos a passar no hotel para levantarmos as malas. Sabia que não seria tão mau como o sentido contrário, mas a ideia de voltar àquela fronteira dava-me algum calor. Mas passou ok, estivemos muito tempo à espera do autocarro que atravessa a ponte, mas não houve confusão. O taxista que outrora tinha conhecido estava à nossa espera, e levou-nos a um tão merecido quarto de hotel com kingsizebed, de onde partiríamos de manhã para o regresso a Portugal!

Não fizemos contas, mas apraz dizer que foi uma viagem muito cara. A passagem para Israel retira também vários Euros à conta (compra de vistos, transportes, etc) mas moralmente obrigatório ir lá, caso estejam na Jordânia. É mesmo ali ao lado! Se tivesse que estimar um valor por alto apontaria para os 3000€ (sem contar com os 25€ que gastei na m$%&/ dos calções…)

Para os que não têm tanta queda para a leitura, fica um pequeno resumo!

6 comentários:

  1. ola olga tudo bem? obrigado pelo comentário. o que posso tentar fazer é dizer-te os alojamentos que escolhemos. não tivemos queixa sobre nenhum, que me lembre. tens é de ter um espirito mais aberto e baixar um pouco as exigências ao padrão europeu. vou tentar procurar isso ;)

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    1. Se tiveres oportunidade de me passar essa informação era excelente. Não procuro hotéis de muitas estrelas. Para mim o importante é ter o conforto mínimo para repor energias :)

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    2. Larsa Hotel (amã) , Bedouin Lifestyle Camp (wadi rum), Al Rashid Hotel (wadi musa (petra)), Mosaic City Hotel (madaba). em jerusalem ficámos num íbis novo, mas não me lembro o nome. de qualquer forma, qualquer íbis é em principio bom ;)

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    3. Muito obrigada pela informação :). Ainda estou a ponderar a ida a Jerusalém, mas parece-me mesmo obrigatório. Vou organizar o meu roteiro e voltarei a "incomodar" caso necessite de mais dicas ;)

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