terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Paris, França

Caros caminhantes, viajantes, amantes da vida nómada e das novas experiências; mais um capítulo neste nosso blog, que, sendo criado com o território nacional como guião, se alargou além-fronteiras. Não por desprimor pelas terras lusas, mas porque quem gosta de viajar, gosta de o fazer globalmente, sem fronteiras nem limites. Pelo menos físicos…

Fomos até Paris, a cidade das luzes, uma das cidades mais visitadas do mundo e quem sabe, da Europa. Esta jornada foi um pouco diferente das outras na quantidade de viajantes deslocados. Eramos 3. O que é muito semelhante a sermos dois, com a diferença de haver mais 1… Agora a sério, a diferença maior está obviamente no alojamento escolhido. Com 3 pessoas compensa arranjar uma casa ao invés de 2 quartos de hotel. Há muita oferta de hotéis, mas aqueles que aparentemente são mais razoáveis no aspeto e no preço, encontram-se um pouco fora de portas. Resta-nos então tentar uma casa particular. E foi o que fizemos, sem qualquer arrependimento. Conseguimos um preço abaixo de um total de qualidade razoável, com ótimas condições, e a 4 estações de metro do centro. 750€ um T2 por uma semana.
A viagem de avião foi barata, ao contrário da ligação entre Beauvais e Paris, de autocarro, por 16€/pax (sem esquecer que terão de pagar o mesmo caso pretendam regressar ao glorioso sol de Portugal). Conseguem um pass de metro por uma semana por uns 30€/pax. E pronto, a nível logístico é isto.
Sendo Novembro um mês conhecido por estar mesmo antes do mês mais frio do Ano, no pináculo do Inverno, não esperávamos fazer um picnic à beira do Sena. Mas também não esperávamos tanto frio. Agasalhem-se, Paris é fria! Vamos então à viagem.


No primeiro dia, sábado, apenas nos fomos abastecer de comida, bem ao estilo português. Sendo que tínhamos cozinha, fazer uns cozidos regados com um copo de azeite, era mais apetecível que gastar 40€ em cada refeição … Ficámos na zona de Montmartre. A que poderemos colocar o rótulo de zona histórica. Com ruelas a subir, calçada, num meio já antigo e familiar, escadarias mal iluminadas e muitas tasquinhas, restaurantes e bares.

No segundo e na verdade primeiro dia de passeio, fomos visitar a Sacré Coeur. Uma basílica muito bonita, principalmente à noite, com a sua bem estudada iluminação. O interior tem uma abóboda incrível. Também magnetizante é o órgão de tubos, que com o passar dos dias constatámos que é uma presença assídua em todas as catedrais. A Basílica de Sacré Coeur é o ponto mais alto de França, o que permite ter uma vista bonita sobre a cidade, e permite usarmos bastante batom de cieiro contra o vento que incomodamente por lá sopra. Voltando à questão da vista; podem comprar o bilhete para irem até à cúpula e/ou até à cripta, que embora tenha um nome sempre apetecível e aventureiro, neste caso, acho que o nome não merece o entusiasmo. Já a cúpula, pelos seus 300 degraus e passagens estreitas, é digna do bilhete!

Mas o bilhete postal de hoje é o Palácio de Versalhes. Por uma sorte daquelas que só sentimos quando ganhamos uma raspadinha ou um prémio bom na barraca das rifas, no 1º domingo de novembro a visita é grátis! Claro que isso significa: enchente!!!! Ainda assim, a fila estava continuamente a avançar, o que fez com que a 1hr de espera fosse mais dinâmica. Este monumento toma-nos todo o dia, por isso podem ir cedo para aproveitar o sol da tarde nos jardins. Digo isto porque inicialmente vão visitar o interior do palácio. Mas assim que a visita ruma ao exterior, os protagonistas são os enormíssimos jardins do palácio, que podem visitar a pé, de bicicleta, de carro, de comboio, podem alugar barcos para andar nos lagos, podem alugar póneis. Enfim, é uma imensidão de verde, flores, árvores e pessoas inevitavelmente descontraídas.


No fim de jantar ainda existia a vontade de sair. E deixámo-nos à deriva na zona onde estávamos. E eis que começámos a ver muitos néon, e mais interessante que isso, palavras como sex, shop, girls, shows, etc. estávamos na zona de Pigalle, uma espécie de red light district. E… tcharan! O Moulin Rouge. Toda esta zona como referia, está apinhada de centros de espetáculo, de lojas esquisitas, de malta estranha. É certo que não nos sentimos tão seguros como se andássemos na praça de São Pedro, mas anda tanta gente na rua que nos abstraímos desse aspeto. Vale a pena visitar. Não, não entrámos em nenhum sítio, e muito menos no Moinho Vermelho, onde o bilhete tem sempre 3 dígitos.

No 3º dia já começávamos a formular algumas opiniões dos franceses. Não são tao antipáticos e arrogantes como se diz. Não têm o dom de sorrir, mas não criam má impressão. O que surpreende sim, numa cidade que é completamente turística e internacional, é o nível de inglês que existe entre quem atende público… Outro aspeto negativo é a limpeza geral das ruas, dos espaços. Mas há curiosidades mais positivas, ou que pelo menos demonstram um melhor funcionamento como sociedade: as esplanadas estão cheias de gente ao final do dia. Sim, esplanadas! Como que diz; mesas e cadeiras no exterior dos cafés. Em novembro! A chover! Com muito frio! Têm inclusivamente aquecedores nessas zonas, para tornar a estadia mais confortável. São muito sociais quando acabam de picar o ponto. Há muitos restaurantes, bares e pubs, e há sempre muito movimento. E a noite parece começar muito mais cedo que em Portugal. Não posso dizer se acaba também mais cedo porque a essa hora já nós estávamos a carregar as pilhas para o dia seguinte.

Mas dizia eu; no 3º dia já experimentámos o sabor do centro da cidade. Onde quase tudo está. E nesse tudo está a catedral de Notre Dame. Sempre com muita gente a orbitar por ali, é algo digno de se apreciar durante algum tempo. Também aqui se pode subir à torre e ver as famosas gárgulas. Também daqui se tem uma vista privilegiada da cidade.

Próxima alínea: Conciergerie. É atualmente o Palácio da Justiça. Foi no passado uma prisão e lá encontra-se a cela de Maria Antonieta. Há referências aos nomes dos degolados na época da temível guilhotina. Alberga também algumas exposições de arte moderna. E posso dizer que houve uma que vi e gostei. Não retirei qualquer tipo de mensagem ou afirmação dela, mas gostei simplesmente. Não vou dizer o que é para não estragar a surpresa. Ao lado da Conciergerie está a Sainte Chapelle. Está em reconstrução o que é pena, mas ainda assim dá para admirar os belos vitrais e apreciar a própria obra de restauro.

Fazendo mais um esforço pedonal conseguimos ver o Panteão. Por fora apenas, pois o orçamento tem de ser controlado e bem aplicado. E nada é mais bem aplicado do que em algo grátis. Os Jardins du Luxembourg são grátis. É um espaço agradável, circundante a um lago, onde encontramos várias cadeiras públicas onde se afirma que os franceses gostam de se sentar para ler as suas obras favoritas. O tempo não convidava a estar sentado muito tempo por isso a visita foi célere. Ao voltar ao centro, e ao passear com o gps desligado, encontrámos o Hôtel de Ville, que embora não venha nos mapas, é por si só uma construção que ombreia com os outros monumentos. Alberga as entidades do governo municipal de Paris… Por acidente também encontrámos uma igreja perdida no meio de ruelas, Igreja de Saint-Gervais. Um pouco escura e algo abandonada, mas também por isso com uma mística que não encontrámos nas outras.

Para finalizar o dia, visitámos a calma e romântica Île de Saint Louis. É uma ilha no meio do Sena (não se preocupem, tem varias pontes que a liga ao “mundo”). É muito calma, tem lojinhas muito típicas. Não se ouve barulho, não há muito transito, as ruas são estreitas e as pessoas bairristas. Vale a pena vaguear por lá.



Hoje o dia teria de ser mais calmo para os gémeos poderem estabilizar e os calcanhares ganharem de novo alguma elasticidade. Posto isto, logo de manhã, fomos ver umas caveiras e umas ossadas às Catacombes. Um enredo de passagens subterrâneas, com uma dimensão respeitável, é aberto ao público, que pode ler um pouco da história “susolar” de Paris. E pode, só pela diversão ver os milhares de crânios e ossadas que por ali repousam. A fila era algo extensa, mas depois de lá estarmos em baixo compensa.



Depois de andarmos um pouco perdidos numa zona de Paris que será o paraíso de quem coleciona selos e moedas (tem dezenas de lojas seguidas), encontramos as Passages Couverts. Galerias comerciais num edifício antigo. Não é um centro comercial! Não há McDonalds! Tem várias lojas especializadas e vários restaurantes gourmet. Nós optamos por nos sentarmos numa escadaria e comer uma sandes, uma banana e um kinder delice.

Seria no entanto, numa ponte, que encontraríamos o climax do 4º dia de passeio: a Pont des Arts. Se o nome não vos diz nada, talvez a fotografia vos faça lembrar de anteriores imagens que já tenham visto, ou mesmo um filme ou uma série onde mostrem esta tradição, romântica e engraçada, de colocar um cadeado na ponte, para segurar o nosso amor. As chaves são deitadas ao rio e voilá, amor eterno. Graças a esta engraçada tradição, a ponte está no seu limite de coeficiente de segurança e a estrutura pode estar comprometida pelo peso dos milhares de cadeados. No rio a situação não deve ser muito melhor…

Continuando à descoberta, esbarramos com o centro de artes e espetáculos Pompidou. É como ir ao Piódão e encontrar um El Corte Inglês. A arquitetura daquilo foi e é muito polémica. Não se camufla com a restante paisagem, mas talvez fosse esse mesmo o objetivo. Por fim, e sem que esta atração seja algo concreto, vagueámos por uma rua tipicamente judeia, com aromas e core típicas do povo Judeu. Não é muito grande, mas podem encontrar aqui uns itens gastronómicos muito peculiares.



O 5º dia preconizava ser O dia. Torre Eiffel estava na agenda. Mas antes, rumámos ao Hôtel National des Invalides. É mais um museu e um imponente monumento. Onde podem desfrutar dum banco de jardim ensolarado para almoçarem. Lá dentro está a história da humanidade durante as 2 guerras mundiais. É interessante para qualquer pessoa e se tiverem tempo para ler e ver os vídeos ficam a perceber quem era quem neste guião da história. Está aqui também o túmulo desse grande pequeno senhor que foi Napoleão. Um túmulo enorme de mármore preta guardado por várias estátuas.

Caminhando em direção à torre Eiffel passámos pelo Grand Palais e pelo Petit Palais. Não chegámos a entrar. Ao longo do Sena e já com o peso dos dias às costas (e também com água, casacos e guarda chuvas) começámos a ver a esplendorosa torre de ferro. E pensámos o que pensamos sempre nestas situações: “Ah é assim que ela é ao vivo!”. Embora nos filmes pareça maior, é realmente uma obra de engenharia impressionante. Fizemos algum tempo para entrarmos no nosso horário pré-definido e reservado ainda em Portugal. Claro que não podiam faltar as fotos cliché, a tocar no cimo da torre, entre outras poses. Eu tentei fazer a mais original que me lembrei. Abraçando a torre está o Palais de Chaillot, onde as pessoas se reúnem, tiram fotografias, comem gelados, veem os artistas de rua, etc. Finalmente chegou a hora. O bilhete comprado permitia ir até ao último andar. Podemos subir pelas escadas ou pelo elevador. Para descer a opção fica reduzida à mais aliciante: as escadas!!!




Mais uma foto aqui e outra a li e o dia estava prestes a terminar. Ainda nos aguardava a viagem mais (possivelmente) romântica do mundo, no rio Sena, à noite. O bilhete é carote, mas conseguem ter uma visão de todos os monumentos principais, de uma outra perspetiva. E claro, tirem as luvas da carteira porque em Novembro, no rio, à noite, no segundo andar descoberto do barco, é frio!!!

Último registo no diário. E que melhor forma de começar o dia que um cemitério. Mas não um cemitério qualquer, é um dos top 10 cemitérios a visitar em todo o mundo. Aqui está o túmulo de Edith Piaf, Jim Morrison, Oscar Wilde, entre outros. E há aqui algo muito curioso, conseguimos ver pela primeira vez, campas de malta Chinesa! É o cemitério Père Lachaise. É um local agradável para se passear, com muitas árvores, flores, e a serenidade geral que se vive num cemitério.




Também seria um dia importante hoje pois iriamos ganhar mais uma foto importante junto ao Louvre. Se não apreciam pintura, escultura e este tipo de arte, não é algo que valha a pena. É o mesmo que não gostarem de música pimba e ligarem a TVI ao domingo à tarde. No entanto, nem que seja para ver a Gioconda, o bilhete é a meu ver, muito barato. 12€ para todo o museu. Ao sair do Louvre podemos descer avenida abaixo até chegar ao Arco do Triunfo, que aliás serve sempre de farol pois dá para ver desde o início dos Champs Elysées. No entanto, antes de chegar a este belo e grande marco, podemos fazer um desvio por umas ruas que albergam as maiores marcas do mundo. Joias, roupas, relógios, etc. Conseguimos ver etiquetas de preços com 4 algarismos! É nestas alturas que nos sentimos pobres… mas felizes! O dia como disse iria acabar no arco do triunfo. Preparem-se para as escadas, mas em contrapartida, também para uma vista linda no cimo deste. E voilá, estava a viagem dada como terminada.






Foi agradável, valeu a pena, é uma cidade a visitar. É essencialmente um turismo de postal, com muitos monumentos, igrejas, etc. Há poucos sobressaltos, surpresas e aventuras. Mas foi para isso que nos inscrevemos. É uma cidade cara, mas se soubermos gerir o orçamento e as vontades, conseguimos evitar maiores desgraças. E, como em todas as outras situações: este íman já está no frigorífico. Vamos programar a próxima!

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