terça-feira, 30 de novembro de 2010

Guimarães

        Depois de muito tempo, lá conseguimos um mísero fim-de-semana, não prolongado, para ir até ao norte. A incompatibilidade de férias e compromissos sociais de fim-de-semana, são os responsáveis pela inactividade deste magnifico blog! :-)
        Saímos na sexta à noite logo ao fim do trabalho, rumo a Guimarães. É uma boa estratégia, pois o entusiasmo embeleza a já por si bonita, sexta-feira, e porque no sábado podemos cumprir o objectivo principal que nos leva a ansiar pela chegada da manha num hotel: o pequeno-almoço! :-)

Sexta, 5 Novembro
        A aventura principal de sexta-feira, foi o teste científico, digno de um Discovery Chanel, de cumprir o trajecto pela N1, evitando assim as portagens. Posso adiantar que fizemos uma média verdadeiramente recorde, seja ao nível do consumo, como ao nível do tempo de vida desperdiçado em filas, semáforos, prioridades, etc. Vão pela auto-estrada…
       A residencial era cuidada, bom atendimento, boas instalações e localização. Estacionamento relativamente fácil, a 35€ noite com pequeno-almoço. Residencial D. João IV.
Sábado, 6 Novembro
        O tempo ameaçava sempre com a chuva, mas o sábado veio-se revelar bastante quente. A manhã começa com o já referido, pecaminoso e desnecessário pequeno-almoço de comer que nem um porco.
        Para digerir isto nada como andar a pé, a subir, com escadas, e lama à mistura. Apontámos as rédeas à Penha. Creio eu que deverá ser o sítio mais alto. Pelo menos assim parece. É fácil dar com o caminho… é sempre a subir. Se encontrarem uma bifurcação… é a subir! Em muitos pontos a paisagem é bonita e revela todo Guimarães. E além disso andamos sempre na natureza. Rota da Penha, um percurso a fazer.

       Ao chegar ao topo, os trilhos desdobram-se numa enormidade de direcções, que nos permite a todos os recônditos. Há um grande largo no topo, onde podemos apreciar a vista, que neste dia específico era algo nebulosa… A atracção principal desta Penha, é a igreja, ou santuário, ou… monumento religioso. Um espaço agradável independentemente das crenças. E nisto chegou almoço. A oferta não é elevada, mas ainda assim conseguimos comer decentemente por um preço amigável, numa pensão que lá está e que tem certamente um nome; nome esse que não nos lembramos… mas é fácil identificar.

        A descer todos os santos ajudam… Mas preferimos usufruir das construções humanas e experimentar o teleférico. Por um custo que consideramos algo elevados, podemos apreciar a paisagem e o aconchego de uma cabine de teleférico.

        Quero só salientar, para eventuais amantes do BTT, e principalmente do Downhill, que a Penha é o paraíso. Por duas razoes: primeiro porque tem trilhos incríveis, com elevado potencial de provocar quedas graves e lesões ao nível da fractura. Segunda razão, porque a parte menos divertida, a subida, pode ser feita no teleférico!!!! Tem suportes para as bikes e portanto por 2,5€ consegue-se um divertimento incrível.

        Já cá em baixo, fomos explorar a cidade. Tem uma zona histórica muito bonita e cuidada. Guimarães tem também, e julgo que é um factor positivo, a maior taxa de personagens que eu já vi. Foi pena não ter tido coragem de tirar fotografias, ou gravar as conversas, porque realmente iriam confirmar que o emplastro iria passar despercebido no meio destes homens e mulheres especiais.



        Como seria de esperar no berço da nação (não quero iniciar discussões sobre qual será este local, vou admitir que seja este. Pois se assim não for, andei a perder tardes a jogar à bola para estudar história, em vão), existem vários monumentos a visitar. Os nossos escolhidos foram o Castelo, o Museu Arqueológico, o Paço dos Duques de Bragança.

O Castelo
        Tem pedras, relva, ruínas, e uma vista superior bonita e ventosa. É o mesmo que me descrever como um homem que usa relógio e veste calças de ganga. Mas na verdade, os castelos, para o comum mortal, são quase todos idênticos. O que não retira o seu interesse e mística!!! Tem no meio, uma torre de menagem. Fica bem aplicar esta definição, mas na verdade ninguém percebe o porquê do nome. E eu, querendo fazer um brilharete, ainda tentei fazer uma pesquisa rápida no wikipedia, mas não consegui nada. Ficamos todos (alguns vá) na ignorância.
O Museu Arqueológico
        Pela primeira vez, pagámos o bilhete de entrada e imediatamente, apanhando-nos de surpresa, um senhor inicia uma visita guiando-nos pelo espaço. Uma visita personalizada. E a felicidade, gosto e prazer com que o homem explicava as coisas, valia por si só a experiencia. De ressalvar a situação mais peculiar que aconteceu: uma determinada figura, representativa da fertilidade, em pedra, era a peça favorita do senhor, que defendia que possuía um significado e uma força natural, que se notava ao tacto. Ou seja, acabámos por nos ver a colocar a mão na cabeça do determinado ser, procurando uma experiencia sobrenatural. Tal não aconteceu. De facto o formigueiro e a palpitação que o guia afirmava podermos sentir, era explicada (a meu ver) pela textura própria da pedra, e pela simples pressão que se exercer na mão. Mas de qualquer forma acho que ninguém vai resistir a colocar a mãozinha…

A Noite...
        Como grandes ramboiistas, fomos ver a noite. A noite é muito boa, é escura e todas as iluminações são mais realçadas do que se fosse dia... :-) Caminhámos até ao centro histórico e a maneira como as habitações estão restauradas e mantêm o seu ar medieval, dá um toque muito requintado ao sítio. Ideal para se tomar um café sossegado. Nota-se um elvado número de jovens pela zona como seria de esperar. Se forem lá nesta altura,o nosso conselho é levarem uma luvas... e um cachecol... e um casa quente. Não é que seja uma cidade fria... mas estes adreços decertam tornaram tudo mais agradável.

Domingo, 7 Novembro

Campo da Ataca
        De manhã dirigimo-nos àquilo que parecia ser o monumento mais abstracto e esquisito (será que não serão estas palavras sinónimos?...). Situa-se no meio de um campo, cuidadosamente vazio, onde estas… coisas se erguem, como se fossem os vigilantes do terreno. Diz a lenda, e a internet, que foi aqui o local do nascimento da nação, fazendo desta quinta a maternidade portuguesa.
        Ao analisar melhor os mamíferos rochosos, identificámos um cavalo, uma mulher guerreira, um homem mais novo (identificado pela cabeça rochosa mais pequena, e com uma barba fraquinha…) e dois guerreiros. Pergunta-se o porquê de um só cavalo para aquela gente toda, e consideramos que talvez a mulher e o filho sejam o Sr. Henriques e a sua respeitosa mãe….


O Paço dos Duques de Bragança
        O Paço dos Duques de Bragança, é a típica casa antiga, que nos faz sempre pensar como que raio é que aquela gente se divertia, como é que lidavam uns com os outros, como é que eram socialmente, e como é que cuidavam da sua higiene… Devaneios de uma mente habituada às comodidades do nosso tempo. Mas o espaço é realmente imponente e interessante de visitar.


Citânia de Briteiros
        Possivelmente o maior aglomerado de ruínas. Um sítio vedado, grande, de um verdadeiro bairro romano. Seguindo as legendas do mapa tudo se torna mais claro e evidente (ou não). Não fica exactamente em Guimarães, mas também não ficam mutio afastado. Mas uma vez mais, vale sempre a pena visitar estes lugares porque afinal, viveram lá os nossos antepassados caramba! Respect!

        Almoço… A ideia era poupar ao máximo. Afinal de contas, temos de entrar no espírito. No entanto passámos numa casa com ar patusco, que dizia diárias a 5€. Especialidade cabrito assado. Devia ser bom e barato e decidimos arriscar. Claro que pedimos cabrito, já que era a especialidade, e claro que também admitimos que não fosse só 5€. Talvez fosse um pouco mais…. O cabrito era muito bom realmente. E acompanhámos com aguinha. Não comemos sobremesa nem bebemos café. Só uma pastilha prós dois. 27€…….. e pronto, não visitámos mais nada, fomos para casa (na verdade fomos mesmo embora, mas porque era mesmo suposto, havia outros compromissos ;-)

PS: continuando na temática gastronómica, comi em Guimarães o croissant com chocolate mais pequeno do mundo (a um preço de um grande)

Fim-de-semana para duas pessoas. Gastámos cerca de 150€.

Sem comentários:

Enviar um comentário